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TJSP aponta indícios de Marcola em esquema com Deolane

A 16ª Câmara de Direito Criminal do TJSP negou habeas corpus a Marcola e familiares, indicando que ele ainda exerce influência em esquema de lavagem de dinheiro ligado à influenciadora Deolane Bezerra.
Foto: TJ vê indícios de que Marcola comandava esquema que envolvia Deolane

A 16ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) negou os pedidos de habeas corpus apresentados pela defesa de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e de seus familiares. A decisão sugere que o chefe do Primeiro Comando da Capital (PCC) continua a exercer influência sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro, mesmo estando preso no sistema penitenciário federal.

A Operação Vérnix, que investiga esse esquema, ganhou notoriedade ao ter como um dos alvos a influenciadora Deolane Bezerra. Segundo as apurações, uma transportadora de fachada em Presidente Venceslau (SP) teria sido utilizada para movimentar recursos da facção criminosa e ocultar bens de membros da cúpula do PCC.

Os desembargadores do TJSP rejeitaram a argumentação da defesa de que os fatos investigados seriam antigos e sem relevância atual. Para o colegiado, os elementos reunidos indicam que a estrutura criminosa continuou operando e que Marcola ainda influencia a movimentação financeira do grupo.

As investigações revelaram que Ciro Cesar Lemos, considerado o operador financeiro da organização, gerenciava bens atribuídos a Marcola e a Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, além de seguir ordens da liderança da facção. A análise de um celular apreendido com Lemos revelou registros de depósitos destinados às contas de Deolane Bezerra e de Everton de Souza, conhecido como “Player”.

Entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados, uma prática conhecida como smurfing, que visa dificultar o rastreamento da origem dos recursos. Além disso, Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola e residente na Espanha, é apontada como um elo entre a influenciadora e a estrutura financeira investigada.

O Tribunal ressaltou que os crimes em questão, como organização criminosa e lavagem de dinheiro, têm natureza permanente. Assim, não se confirmou a alegação da defesa sobre a falta de contemporaneidade dos fatos, mantendo-se os requisitos para a prisão preventiva, considerando o risco de continuidade das atividades criminosas e a necessidade de preservar as investigações.

Em nota, o advogado Bruno Ferullo Rita, que representa Marcola e seus familiares, manifestou a discordância da defesa em relação à decisão e informou que recorrerá às instâncias superiores. Ele destacou que os habeas corpus discutiam apenas a legalidade das prisões preventivas, sem abordar o mérito das acusações, que seguem sendo debatidas na ação penal.

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