Pesquisar

Tribunal de Justiça de Minas Gerais Absolviu Homem de 35 Anos Acusado de Estupro de Menina de 12

TJMG absolve homem de 35 anos acusado de estuprar menina de 12, gerando polêmica jurídica e política em Minas Gerais.
Foto: Entenda caso de homem de 35 anos absolvido após ser condenado por estupro contra menina de 12.

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) reverteu a condenação de um homem de 35 anos acusado de manter uma relação com uma menina de 12 anos em Indianópolis, no Triângulo Mineiro. A decisão, proferida pela 9ª Câmara Criminal, ocorreu na última sexta-feira (20) e gerou discussões tanto no âmbito jurídico quanto na política.

A condenação inicial, que impôs ao réu uma pena de nove anos e quatro meses de prisão, foi considerada injustificada pelos desembargadores, que entenderam que existia um 'vínculo afetivo consensual' entre o homem e a vítima. O homem, que possui um histórico criminal que inclui passagens por homicídio e tráfico de drogas, foi preso em flagrante em abril de 2024, quando estava com a adolescente.

As investigações indicaram que a menina estava morando com o réu com a autorização de sua mãe e havia deixado de frequentar a escola. Em depoimento, o suspeito admitiu ter relações sexuais com a adolescente, enquanto a mãe da menina afirmou que permitiu o 'namoro' entre os dois. Com base nesses elementos, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou o homem por estupro de vulnerável.

A sentença da primeira instância foi proferida em novembro de 2025, mas o caso foi recorrido e, na análise do recurso pela 9ª Câmara Criminal, o desembargador relator Magid Nauef Láuar destacou que a relação entre o réu e a menor era 'análoga ao matrimônio', com conhecimento da família da vítima. O magistrado argumentou que não houve violência ou coação e que o relacionamento se deu de forma consensual.

Após a absolvição, o homem deixou o sistema prisional em 13 de fevereiro, após a concessão de alvará de soltura. A decisão do TJMG provocou reações políticas. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) anunciou que protocolaria uma denúncia contra o Estado brasileiro na Comissão Interamericana de Direitos Humanos, criticando a relativização do estupro de vulnerável. Outras figuras políticas, como a deputada Erika Hilton (PSOL) e o deputado Nikolas Ferreira (PL), também se manifestaram contrários à decisão.

O Código Penal brasileiro classifica como estupro de vulnerável a conjunção carnal ou a prática de atos libidinosos com menores de 14 anos, independentemente do consentimento da vítima. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se posicionou no sentido de que o consentimento ou a existência de um relacionamento não excluem a tipificação do crime. O Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania reafirmou o compromisso do Brasil com a proteção integral das crianças e adolescentes.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima