A guerra no Irã, que se estende por 19 dias, tem evidenciado as crescentes tensões entre os Estados Unidos e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Essas fricções começaram antes mesmo da reeleição de Donald Trump em janeiro de 2025. O presidente americano manifestou a intenção de retirar os EUA da aliança militar, criada durante a Guerra Fria para conter a União Soviética, devido à falta de apoio europeu no conflito com o Irã.
Com a crise no Estreito de Ormuz, que está sob controle iraniano e fechado desde o início da guerra, Trump solicitou ajuda de aliados para desbloquear a passagem, essencial para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial. No entanto, nenhum dos 32 membros da Otan atendeu ao pedido, o que deixou o presidente insatisfeito.
Durante uma reunião com o primeiro-ministro da Irlanda na Casa Branca, Trump foi questionado sobre a relutância da Otan em apoiar os EUA e se isso poderia levar a uma reavaliação da relação com a aliança. Ele respondeu:
Certamente é algo sobre o que devemos pensar. Não preciso do Congresso para essa decisão. Como vocês provavelmente sabem, eu posso tomar essa decisão sozinho.
O conflito entre EUA, Israel e Irã não se limita ao Oriente Médio, onde bases americanas têm sido alvo de ataques. A principal repercussão global está no Estreito de Ormuz, onde o Irã bloqueou a passagem de navios petroleiros que tentam entrar ou sair da região. Essa ação resultou em um aumento significativo no preço do petróleo, que já ultrapassa os US$ 100 por barril do tipo brent.
O governo iraniano declarou que o estreito está fechado para todos os países que apoiam os EUA e Israel no conflito. Em resposta à situação, Trump solicitou apoio de aliados para reabrir a passagem e assegurar o comércio de petróleo. Contudo, o pedido foi negado pelos países da Otan. A Índia, por outro lado, conseguiu negociar com o Irã e recebeu autorização para a passagem de petroleiros no estreito, enquanto o governo do Iraque também mantém diálogos com a administração iraniana.