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Tensões entre EUA e Irã aumentam por inspeções nucleares e controle do Hormuz

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã aceitou inspeções nucleares, mas Teerã nega. A disputa se intensifica em meio a negociações sobre o estreito de Hormuz.

As tensões entre os Estados Unidos e o Irã se intensificaram nesta terça-feira (23), quando o presidente americano, Donald Trump, anunciou que Teerã teria concordado em permitir inspeções nucleares permanentes. No entanto, o governo iraniano rapidamente negou a existência de tal acordo, reacendendo as divergências sobre as negociações que buscam resolver o conflito no Oriente Médio.

Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que o Irã aceitou a entrada de inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), vinculada à ONU, por um longo período. Ele argumentou que essa medida garantiria a "honestidade nuclear" e que, sem essa concordância, não haveria novas negociações.

Por outro lado, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, contradisse a versão americana, afirmando que a AIEA não tinha autorização para inspecionar as instalações nucleares que foram alvo de bombardeios pelos EUA e Israel. Baghaei também destacou que o Irã continuará a cumprir suas obrigações como membro do Tratado de Não Proliferação Nuclear.

A desconfiança dos EUA e de outras nações ocidentais em relação ao programa nuclear iraniano, que acreditam poder estar voltado para a construção de armas nucleares, persiste há décadas. O Irã, por sua vez, defende que seu programa é exclusivamente para fins pacíficos.

As tensões também se refletem nas negociações em andamento na Suíça. O principal negociador iraniano afirmou que o estreito de Hormuz não retornará às condições de livre navegação anteriores à guerra. Apesar disso, 35 navios transportadores de commodities cruzaram a via marítima na segunda-feira (22), um recorde desde o início do conflito.

Na semana passada, o Irã anunciou que começaria a impor "taxas de serviços marítimos" para a travessia do estreito. Em uma declaração conjunta com Omã, o Irã reafirmou seus direitos soberanos sobre suas águas territoriais e anunciou a criação de um grupo de trabalho para discutir a administração da navegação na região.

A Organização Marítima Internacional (OMI) também se manifestou, anunciando um plano de evacuação para mais de 11 mil marinheiros retidos na área. O secretário-geral da OMI, Arsenio Domínguez, afirmou que a operação será realizada em colaboração com o Irã, Omã e outros países costeiros.

Além disso, Trump revelou que os EUA concordaram em liberar US$ 12 bilhões em recursos congelados para o Irã, que seriam utilizados exclusivamente para a compra de alimentos e suprimentos médicos. No entanto, o embaixador iraniano na ONU, Ali Bahreini, afirmou que a decisão sobre o uso desse montante cabe apenas a Teerã.

Após as negociações na Suíça, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, viajará para os Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein para discutir o acordo com o Irã e a situação no estreito de Hormuz. Ele reiterou que Teerã não poderá cobrar pedágios na via marítima como parte de qualquer acordo final.

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