A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta sobre a possibilidade de novos casos de contaminação pelo hantavírus, embora o risco de surto seja considerado limitado. Uma comissária de bordo da KLM, que apresentou sintomas leves, testou negativo para a doença. Até agora, três pessoas faleceram devido à cepa andina.
O navio de cruzeiro MV Hondius está previsto para chegar às Ilhas Canárias, onde os passageiros serão retirados em uma operação controlada de repatriação e transferência sanitária. A situação gerou tensão no país, levando as autoridades a decidir que o navio não atracará no porto de Tenerife, mas permanecerá ancorado próximo à costa.
Fernando Clavijo, chefe do executivo das Ilhas Canárias, afirmou que essa medida visa reduzir os riscos de contágio. A retirada dos passageiros será realizada com embarcações de apoio, seguindo um protocolo sanitário específico, e os viajantes não poderão circular pela ilha.
O governo espanhol garantiu que não haverá contato entre os passageiros e a população local. Os viajantes serão avaliados a bordo e só poderão desembarcar quando a operação de repatriação estiver finalizada. A ministra da Saúde, Mónica García, informou que todos os passageiros estrangeiros devem ser repatriados, salvo contraindicações médicas.
A situação gerou preocupação entre moradores e trabalhadores da região, especialmente em Tenerife. Muitos locais expressaram que o tema domina as conversas, enquanto alguns defendem a necessidade de ajuda humanitária para os passageiros. Trabalhadores portuários ameaçaram bloquear atividades por falta de informações claras sobre os protocolos de segurança.
Apesar da insatisfação, o sindicato 'Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar' não apoia paralisações e considera a decisão de manter o navio próximo à costa como a mais prudente do ponto de vista sanitário.
A decisão de receber a tripulação do navio causou atritos entre o governo nacional e a administração regional das Ilhas Canárias. Clavijo reclamou da falta de informações, enquanto o governo central negou a acusação. O primeiro-ministro Pedro Sánchez tentou conciliar a situação com uma ligação ao líder regional.
Divergências também surgiram dentro do governo sobre a possibilidade de quarentena obrigatória para os passageiros espanhóis. Enquanto a ministra da Defesa defendeu que a quarentena seria voluntária, a ministra da Saúde afirmou que o Estado possui ferramentas legais para impor o isolamento, embora tenha ressaltado que o 'bom senso' deve prevalecer.
A OMS continua monitorando a situação.