O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) iniciou investigações sobre a possibilidade de que empréstimos consignados de servidores do Governo do Distrito Federal (GDF) estivessem sendo cobrados por meio de rubricas destinadas a planos de saúde e assistência odontológica. A apuração se intensificou após a descoberta de irregularidades relacionadas à Associação dos Servidores Públicos do Distrito Federal (ASDF).
Documentos obtidos pelos auditores indicam que descontos referentes a empréstimos foram inseridos na folha de pagamento utilizando códigos reservados para serviços de saúde. Essa prática levantou preocupações sobre a transparência das operações de crédito, que poderiam estar sendo apresentadas aos servidores como serviços de saúde, dificultando a fiscalização.
Diante das suspeitas, o TCDF decidiu investigar se outras entidades e empresas estavam utilizando o mesmo mecanismo. Os auditores questionaram a Secretaria de Economia sobre as operações realizadas por empresas de assistência médica e odontológica, buscando esclarecer se os descontos registrados realmente correspondiam a empréstimos.
As suspeitas levantadas pelo TCDF foram um dos fundamentos para a deflagração da Operação Juros Zero, realizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). A investigação aponta que associações e empresas teriam utilizado códigos de planos de saúde para inserir cobranças de empréstimos, muitas vezes sem a autorização dos servidores.
Na operação, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em locais como o Distrito Federal, São Paulo e Paraná. Entre os alvos estão o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços, a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev-DF), o PicPay e associações investigadas.
O MPDFT aponta que o esquema pode envolver crimes contra a economia popular, corrupção, organização criminosa, inserção de dados falsos em sistemas públicos e lavagem de dinheiro.
Em nota, a Secretaria de Economia informou que a operação visa apurar a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta. A Secretaria afirmou estar colaborando integralmente com as autoridades, garantindo acesso às instalações e apoio necessário.
O PicPay também se manifestou, afirmando que não reconhece irregularidades nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobranças indevidas. A empresa destacou que seus produtos e serviços estão em conformidade com as normas vigentes e que continuará colaborando com as autoridades.
Fonte: Metropoles