O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva do deputado estadual Thiago Rangel, do Avante, nesta quarta-feira. A decisão impede que a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) vote sobre a situação do parlamentar, reforçando a necessidade de que a medida permaneça em vigor.
Rangel foi detido na terça-feira durante a quarta fase da Operação Unha e Carne, que investiga fraudes em contratos e compras públicas na Secretaria Estadual de Educação do Rio de Janeiro. Moraes enfatizou que a prisão deve ser mantida independentemente da manifestação dos deputados estaduais, solicitando que o caso seja analisado pela Primeira Turma do STF.
O ministro fez uma ressalva para evitar que a Alerj revogue a prisão, como ocorreu anteriormente com Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Casa, que teve sua prisão derrubada em dezembro do ano passado. Bacellar foi novamente preso em março deste ano. Moraes argumentou que a aplicação do direito deve impedir a perpetuação da impunidade de organizações criminosas infiltradas no poder público.
As investigações que culminaram na prisão de Rangel foram impulsionadas pela análise de um computador apreendido na Alerj, vinculado ao gabinete de Bacellar. A Polícia Federal encontrou uma planilha com nomes de deputados e indicações para cargos no governo, incluindo uma nomeação para a Superintendência Regional do Instituto de Pesos e Medidas em Campos dos Goytacazes, que ocorreu logo após a data registrada na planilha.
Os contratos investigados envolvem fornecimento de materiais e serviços para obras em escolas. Segundo a PF, após os pagamentos com recursos públicos, os valores eram sacados ou transferidos por intermediários e redistribuídos para empresas ligadas à organização criminosa, com parte do dinheiro sendo misturada a recursos lícitos em contas de uma rede de postos de combustíveis.
Fonte: Metropoles