A atrofia muscular espinhal (AME) tipo 1 pode mascarar sinais de transtorno do espectro autista (TEA) em crianças, dificultando o reconhecimento precoce na prática clínica. A pesquisa, publicada na revista Developmental Medicine and Child Neurology, revela que a própria condição neuromuscular interfere na manifestação desses sinais.
A AME tipo 1 é uma doença genética rara que provoca fraqueza muscular intensa desde os primeiros meses de vida. Com os avanços nos tratamentos, a expectativa de vida dessas crianças aumentou, permitindo uma observação mais detalhada do seu desenvolvimento cognitivo e comportamental. Nesse contexto, os pesquisadores notaram que comportamentos associados ao autismo podem estar presentes, mas frequentemente não são reconhecidos.
Os sinais utilizados para avaliar o TEA, como gestos, apontar objetos e interações sociais, dependem de habilidades motoras que podem estar comprometidas em crianças com AME tipo 1. O estudo identificou dificuldades de interação social, alterações na comunicação e comportamentos repetitivos, mas enfatiza que isso não implica um diagnóstico confirmado de autismo.
Os autores do estudo alertam que os instrumentos de triagem atuais podem não ser adequados para essa população, resultando na subidentificação de sinais de autismo. O diagnóstico precoce é crucial para iniciar intervenções que favoreçam o desenvolvimento da criança, e a falta de reconhecimento pode atrasar esse acompanhamento.
Com a evolução dos tratamentos, as crianças com AME tipo 1 agora vivem mais, o que traz à tona novas necessidades, incluindo aspectos comportamentais. Os pesquisadores sugerem que os profissionais de saúde considerem a possibilidade de sinais de TEA, mas com uma avaliação adaptada às limitações motoras desses pacientes, para garantir um acompanhamento adequado.