A Orquestra Sinfônica da Paraíba vai estrear a Série Eleazar de Carvalho com a execução da ópera Carmen, do francês Georges Bizet. O concerto especial será na próxima quarta-feira, 27 de maio, às 20h30, no Teatro Pedra do Reino, no Centro de Convenções de João Pessoa. Com regência do maestro Gustavo de Paco de Gea, o concerto terá a participação do Coro Sinfônico da Paraíba, regido pelo maestro Daniel Berg, e de cinco cantores líricos solistas: Karla Teodósio, Júlia Ess, Estêvão Batista, Iuri Neery e Lucas Barreto.
O concerto tem entrada gratuita, mas o acesso ao Teatro Pedra do Reino será por meio de ingressos, que serão distribuídos, no limite de dois por pessoa, na bilheteria da administração da Orquestra Sinfônica da Paraíba, na rampa 4, no Espaço Cultural, na segunda-feira (25) e terça-feira (26), nos três turnos: 8h30 às 11h30, 14h30 às 17h30, e 19h às 21h. Na quarta-feira (27), dia do concerto, se a lotação não estiver esgotada, os ingressos serão distribuídos a partir das 19h na bilheteria do teatro. Neste evento, a OSPB conta com a parceria do Sistema Fecomércio/Sesc/Senac Paraíba.
Esta série integra o projeto desenvolvido pela Orquestra Sinfônica, neste ano de 2026, que segmentou a temporada para homenagear Sivuca, Glauco Andreza e Eleazar de Carvalho. A Série Sivuca estreou em Itabaiana, terra natal do músico paraibano, no dia 9 de abril, e a Série Glauco Andreza, com um concerto no dia 23 de abril, em João Pessoa.
A Série Eleazar de Carvalho começa com a execução de trechos da ópera Carmen, de Bizet, em homenagem ao maestro cearense que teve uma carreira consolidada internacionalmente, estando à frente de importantes orquestras de vários países e que deixou sua marca na Orquestra Sinfônica da Paraíba, onde atuou como regente titular e diretor artístico no final da década de 1980 e início da década de 1990.
Georges Bizet compôs Carmen, uma ópera em quatro atos estreada em Paris, em 1875, que se consolidou posteriormente como uma das obras mais populares do repertório operístico mundial. Escrita no estilo da ópera cômica, combina números musicais com diálogos falados.
Ambientada no sul da Espanha, a trama acompanha a trajetória de Don José, um soldado ingênuo que se deixa envolver pela personalidade intensa e sedutora da cigana Carmen. Fascinado por ela, abandona sua antiga amada e rompe com o exército. No entanto, Carmen passa a se interessar pelo carismático toureiro Escamillo, despertando em José um ciúme devastador que culmina no assassinato da protagonista.
De acordo com o maestro Gustavo de Paco de Gea, o concerto tem um significado especial por inaugurar oficialmente a temporada clássica da série.
Esse concerto marca o início da temporada clássica da Série Eleazar de Carvalho. É um momento muito importante para a Orquestra Sinfônica da Paraíba, especialmente pela escolha do repertório, que exige a integração de muitos segmentos artísticos — destacou.
Não se trata da ópera Carmen completa, que tem cerca de duas horas e meia de duração. Nós selecionamos 14 segmentos da obra, entre partes orquestrais, números com os solistas e trechos com coro e solistas juntos. Será uma versão em forma de concerto, sem encenação ou coreografia, mas com toda a força musical dessa grande ópera — afirmou.
Segundo o maestro, a escolha de Carmen vinha sendo planejada desde o ano passado, em parceria com o maestro do coro.
Já existia o desejo de realizar uma atividade conjunta entre a orquestra e o coro. Este ano, graças ao apoio da Secult, conseguimos garantir a presença dos solistas e concretizar esse projeto que já estava nos nossos planos — explicou.
Desde novembro do ano passado a orquestra não apresentava uma programação tão clássica. Tivemos concertos com elementos populares e dedicados ao choro, por exemplo. Agora, esse concerto de maio marca justamente o regresso a um repertório absolutamente clássico, centrado nessa grande ópera de Bizet
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Para ele, a grandiosidade da montagem está justamente na união de diferentes forças musicais.
Estamos falando de uma orquestra completa, um coro sinfônico completo e cinco solistas. São muitas energias artísticas reunidas para construir uma obra bem executada e muito bonita. A expectativa é enorme e os ensaios já mostram a dimensão desse trabalho — concluiu.
Para os solistas, será um momento único.
É uma honra imensa receber o convite da Orquestra Sinfônica e do Coro Sinfônico da Paraíba para dar vida a Carmen — disse a cantora Karla Teodósio. “Ela é uma personagem fascinante, um símbolo feminino absoluto de liberdade, força e autonomia. Embora seja uma obra do século XIX, Carmen dialoga diretamente com as nossas pautas atuais, o feminicídio. A história discute o perigo da possessividade e o direito inegociável da mulher de ser dona das próprias escolhas. A expectativa para o concerto do dia 27 está altíssima; estamos preparando um concerto vibrante e cheio de entrega para o público”, comemorou.
A cantora Júlia Ess destacou a importância de interpretar Micaëla, que é uma personagem muito significativa dentro do contexto da ópera Carmen.
Ela surge no primeiro ato com uma carta escrita pela mãe de Don José e ao longo da ópera essa personagem vai ganhando uma força emocional e uma iniciativa diferente perante as situações que vão transcorrendo. A personagem Micaëla é marcada por um lirismo, uma delicadeza, mas uma grande expressividade emocional — explicou.
Essa vai ser a minha primeira ópera. Como cantora relativamente jovem, vai ser um momento transcendental. Será uma experiência transformadora que já tem me proporcionado muitos aprendizados. As expectativas são de que o público aprecie essa ópera que nós estamos preparando com muito cuidado, amor e dedicação
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O cantor Estêvão Batista também celebra a oportunidade.
É uma felicidade imensa poder retornar a João Pessoa depois de alguns anos e pela primeira vez cantar profissionalmente com a OSPB e o Coro Sinfônico. Uma vez que eu me formei cantor lírico na UFPB, essa é uma grata oportunidade de retribuir à sociedade tudo aquilo que ela investiu em mim durante o meu período na graduação — ressaltou.
A ópera Carmen de Bizet é uma das óperas mais célebres do repertório tradicional, tendo melodias que todos nós conhecemos. Para mim, é uma responsabilidade imensa interpretar Don José, um personagem tão denso e com muitas camadas. É um personagem que vai desde a delicadeza até a violência e espero poder transmitir isso ao público
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Iuri Neery falou sobre o convite.
É uma honra integrar esta produção de Carmen, de Georges Bizet, realizada pela Orquestra Sinfônica da Paraíba e pelo Coro Sinfônico, interpretando o papel de Escamillo. Agradeço imensamente o convite da orquestra para participar desta montagem. Carmen, marco do repertório operístico francês do século XIX, apresenta desafios vocais e dramáticos que dialogam diretamente com minha pesquisa e prática como barítono — explicou.
Compartilhar o palco com este corpo artístico representa uma etapa significativa em meu desenvolvimento profissional. Espero que surjam outras oportunidades para seguirmos compartilhando música
, celebrou.
É uma grande alegria participar deste concerto da Orquestra Sinfônica da Paraíba integrando o elenco da ópera Carmen, uma das obras mais emblemáticas do repertório lírico — disse o cantor Lucas Barreto. “Minha participação envolve personagens de forte presença cênica dentro da narrativa da ópera, cada um com características muito marcantes musical e dramaticamente. Isso torna a experiência artística ainda mais desafiadora e enriquecedora”.
Ele disse que a expectativa é a melhor possível.
Será uma oportunidade muito especial de compartilhar com o público toda a intensidade, dramaticidade e beleza musical de Carmen, além de aproximar ainda mais as pessoas do universo da ópera através de uma obra tão viva e apaixonante
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Eleazar de Carvalho
O maestro Eleazar de Carvalho foi um dos mais importantes nomes da música clássica brasileira no século XX. Nascido em Iguatu, no Ceará, em 1912, iniciou sua trajetória musical tocando tuba na banda da Marinha Brasileira e, posteriormente, estudou composição e regência no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro.
Com carreira internacional consolidada, regeu algumas das principais orquestras do mundo, como as filarmônicas de Nova York, Los Angeles e Berlim, além de atuar como diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), elevando a instituição a um patamar de reconhecimento internacional. Também foi professor em Tanglewood e na Universidade Yale, formando grandes maestros da música erudita mundial. Em 1932 ingressou como tubista na Orquestra do Theatro Municipal do Rio de Janeiro e assumiu a regência da mesma orquestra em 1941.
Entre 1987 e 1990, Eleazar de Carvalho teve participação marcante na história da Orquestra Sinfônica da Paraíba, atuando como regente titular e diretor artístico. Sua passagem pela OSPB é lembrada como um dos períodos mais importantes da trajetória da orquestra, que alcançou elevado nível técnico e artístico, recebendo reconhecimento nacional da crítica especializada e do público. Sob sua liderança, a orquestra ampliou seu repertório, executando obras sinfônicas de maior complexidade, além de fortalecer a formação musical de seus integrantes e promover importantes intercâmbios culturais.
Sua atuação na OSPB contribuiu decisivamente para consolidar a orquestra como uma das mais importantes do país, inspirando músicos e maestros das gerações seguinte. Faleceu em 12 de setembro de 1996, em São Paulo, aos 84 anos, deixando o legado como um dos maiores maestros brasileiros e formador de gerações de regentes.
Gustavo de Paco de Gea – É natural de Buenos Aires, formou-se no Conservatório Juan José Castro. Atuou como flautista e docente em orquestras argentinas até 1978, quando passou a lecionar Flauta Transversal na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Fundou o Quinteto Latinoamericano de Sopros da UFPB, com apresentações no Brasil e no exterior.
Desde 1980, é primeiro flautista da Orquestra Sinfônica da Paraíba, destacando-se na promoção da música nordestina. Em 1985, assumiu o mesmo posto na Orquestra Sinfônica do Recife (PE) e no respectivo quinteto de sopros. Foi professor convidado do Centro de Criatividade Musical de Recife (1996–1997) e preparador da Orquestra Infantil da Paraíba.
Iniciou-se como maestro em 2001, fundando a Orquestra de Câmara Municipal de João Pessoa, onde atuou até 2010. Em 2012, tornou-se maestro da Orquestra Criança Cidadã e, em 2014, maestro assistente da Orquestra Sinfônica Municipal de João Pessoa. Rege a Orquestra Sinfônica da UFPB desde 2013 e, em 2022, assumiu a regência da Orquestra Sinfônica da Paraíba. Em 2025, foi convidado a dirigir a Orquestra Filarmónica de Río Negro, na Argentina.
Daniel Berg – É graduado em Letras (Francês) e Bacharel em Música pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com estudos complementares na Universidade de Lausanne (UNIL), na Suíça. Possui pós-graduação em Musicoterapia pelo Censupeg, especialização em Regência pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e mestrado em Música pela UFPB.
Aperfeiçoou-se em regência coral e orquestral com importantes maestros nacionais e internacionais. Como maestro, cantor e solista, apresentou-se em diversas cidades da Europa, com destaque para Zurique, Berna, Lausanne, Coimbra e Fátima. Recentemente, realizou uma turnê internacional em Portugal, onde regeu e se apresentou em espaços de grande relevância histórica e cultural, como a tradicional Universidade de Coimbra e o Santuário de Fátima.
É maestro titular do Coro Sinfônico da Paraíba, grupo oficial da Orquestra Sinfônica da Paraíba, desenvolvendo um importante trabalho de valorização da música coral e da formação artística no estado. Paralelamente, atua como professor de Educação Musical, dedicando-se à musicalização infantil e à formação de jovens músicos em escolas da capital paraibana.
Karla Teodósio (soprano) – É mestranda em Música pela UFRN e licenciada pela UFCG, com especialização em Pedagogia Vocal. Entre os destaques da sua carreira estão a participação no Festival Internacional de Música de Campina Grande e no Sesc Partituras. Atuou também como solista da obra “Glória em Ré Maior”, de A. Vivaldi, e de “Cancioneiro Atlântico”. Recentemente, participou como solista na turnê “Canto Além-Mar Brasil-Portugal”, integrando o Coro Sinfônico da Paraíba em apresentações em solo português.
Integrante da Academia de Ópera e Repertório (AOR), já interpretou papéis na ópera “L’elisir d’amore”, de Donizetti; na opereta “Die Fledermaus”, de J. Strauss, e na ópera contemporânea “O Refletor”, de J.A. Kaplan. Também participou de montagens como “La Traviata”, de Verdi, e de “Júlia, a Tecelã”, de Wendel Ketller, como corista.
Foi regente do Coro Infantil do Projeto Uirapuru da Prefeitura de Campina Grande, produtora das Cantatas Evangélicas de Páscoa e Natal no Teatro Municipal de Campina Grande, e atuou por dez anos como violoncelista e professora de violoncelo. Atualmente, desenvolve atividades pedagógicas em João Pessoa, atuando como professora de canto, preparadora vocal e regente em diversos projetos pedagógicos e corais.
Júlia Ess (soprano) – Iniciou seus estudos musicais ainda criança, em cursos oferecidos por igrejas católicas, dando prosseguimento no Instituto Federal da Paraíba (IFPB), instituição na qual obteve a formação técnica em Canto Popular; no Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), espaço acadêmico no qual cursou a Licenciatura em Canto Lírico, e em cursos livres.
Desde 2005, atua como cantora e tem participado de apresentações nacionais com o Coral e a Orquestra de Cordas do IFPB, bem como figurado enquanto cantora e preparadora vocal em projetos de ensino, pesquisa e extensão da UFPB. Destaca-se sua participação em eventos religiosos enquanto solista e backing vocal, como também sua atuação em festivais internacionais, tais como o Schutzenfest von Grevenstein e o Adventsfest in Grevenstein, na Alemanha.
Atualmente, é mestranda em Música pela UFPB e integra diversos grupos musicais como solista, desempenhando paralelamente atividades relacionadas à pesquisa em música, ao ensino do canto e à performance de repertórios clássicos e populares.
Estêvão Batista (tenor) – É licenciado em Música pela UFPE e bacharel em Música (Canto Lírico) pela UFPB. Em 2020 foi aluno intercambista na Escola de Música da Universidade de Örebro (Suécia), patrocinado pelo Fundo Linnaeus Palm através da cooperação internacional entre universidades.
Já participou de vários festivais de música, onde teve a oportunidade de trabalhar com diversos cantores e maestros da cena lírica brasileira, como Luisa Francesconi, Gabriela Pace, Michel de Souza, Celine Imbert, Paulo Mandarino, Gabriel Rhein-Schirato, André dos Santos.
Já atuou como solista em óperas pelo Brasil, a exemplo de La Scala di Seta, Gianni Schicchi, Pagliacci, La Cambiale di Matrimonio, entre outras. Atualmente reside em Salvador, na Bahia, onde é membro do Madrigal da UFBA, um dos corpos artísticos da Escola de Música da Universidade Federal da Bahia.
Iuri Neery (barítono) – Com mais de uma década de atuação no programa Neojiba (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia), o barítono Iuri Neery destaca-se como solista em óperas como “Dido e Eneias”, de Henry Purcell,
Jeremias Fisher – A história do menino peixe
, de Isabelle Aboulker, e “Dulcineia e Trancoso”, de Eli-Eri Moura.
Sua trajetória internacional inclui a ópera “Falstaff”, de Giuseppe Verdi, na Itália, pelo projeto Impacto, e atuação como solista no coro mundial do programa de educação musical El Sistema, na Venezuela.
Paralelamente à carreira artística, desenvolve trabalho pedagógico como monitor de canto coral do Neojiba e professor de música. Iuri Neery tem formação pela Escola de Música da Universidade Federal da Bahia.
Lucas Barreto (baixo-barítono) – É licenciando em Música (Canto) pela Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), e destaca-se pela versatilidade em transitar entre a música de concerto e a popular.
Atuou em palcos internacionais como o Carnegie Hall (EUA), em estreias mundiais de Danilo Guanais, além de turnês pela França e Portugal como solista. No Brasil, participou do Festival de Ópera de Pernambuco em produções como “A Compadecida”, de José Siqueira, “Cavaleria Rusticana”, de Pietro Mascagni, e “La Traviata”, de Giuseppe Verdi.
Em João Pessoa, fez parte do projeto Ópera no Santa Roza, onde interpretou Uberto em “A Serva Patroa” (versão em português de La Serva Padrona), de Pergolesi. Vencedor do concurso “DOM Forró” e representante da Paraíba em festivais nacionais, combina qualidade técnica, força interpretativa e identidade única.
Orquestra Sinfônica da Paraíba
3º Concerto Oficial da temporada 2026 – Série Eleazar de Carvalho
Regência: Maestro Gustavo de Paco de Gea
Participação: Coro Sinfônico da Paraíba
Regência: Daniel Berg
Solistas: Karla Teodósio (Carmem), Júlia Ess (Micaëla), Estêvão Batista (Don José), Iuri Neery ( Escamillo) e Lucas Barreto ( Zuniga)
Dia: 27 de maio (quarta-feira)
Local: Teatro Pedra do Reino, Centro de Convenções de João Pessoa
Entrada: Gratuita, com distribuição de ingressos
Espaço Cultural – Segunda-feira (25) e terça-feira (26), das 8h30 às 11h30, 14h30 às 17h30 e 19h às 21h
Teatro Pedra do Reino – Quarta-feira (25), se a lotação não estiver esgotada, a partir das 19h
Fonte: Paraiba