A Secretaria de Esportes da gestão Tarcísio de Freitas não conseguiu localizar R$ 23 milhões em materiais adquiridos. A irregularidade foi descoberta após um inventário do almoxarifado, solicitado pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).
O inventário revelou que as notas de empenho para compras de materiais totalizavam R$ 51,5 milhões, enquanto os itens encontrados nas dependências da secretaria somavam apenas R$ 16,7 milhões. A pasta localizou R$ 11,5 milhões em materiais, que haviam sido doados, mas ainda restam itens não identificados.
Em resposta à situação, a secretaria afirmou que está implementando medidas para melhorar o controle e a gestão patrimonial. Em nota, reafirmou seu compromisso com a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos.
A secretaria está elaborando um relatório preliminar que servirá de base para a abertura de uma sindicância. O professor de direito administrativo Vitor Schirato destacou que, em casos como esse, uma sindicância deveria ser instaurada imediatamente para esclarecer os fatos.
Durante a análise da prestação de contas da pasta em 2025, o TCE-SP notou divergências entre os valores apresentados pela secretaria e os registros no sistema de controle orçamentário Siafem. A fiscalização também apontou a falta de controle de estoque, o que contraria a legislação.
Em resposta à fiscalização, a então secretária da pasta, coronel Helena Reis, criou uma comissão de inventário para verificar os materiais em estoque. O coordenador da comissão, Sergio Soares, relatou uma discrepância de R$ 34,7 milhões entre os materiais encontrados e os valores contábeis.
A comissão identificou desorganização no armazenamento dos itens e a ausência de controle de estoque físico e contábil. Apesar de solicitar recibos de doações, apenas uma servidora respondeu ao pedido.
Em julho, o secretário-executivo José Ribeiro Lemos Junior pediu a adoção de medidas para corrigir as falhas, mas um plano de ação detalhado não foi apresentado. Em outubro, uma equipe foi criada para investigar o rombo de R$ 34,7 milhões.
Em dezembro, foi informado que R$ 11,5 milhões em materiais haviam sido localizados, parte deles doados a escolas e entidades. A secretaria afirmou que as doações são feitas mediante solicitação formal.
O subsecretário de gestão corporativa, Marcelo Nanya, mencionou dificuldades na identificação e correlação entre os materiais físicos e os registros contábeis, o que dificultou a apuração do valor restante de R$ 23 milhões.
No início de 2026, Lemos e Nanya foram exonerados. Após a reportagem, a secretaria afirmou que continua a apuração das inconsistências entre os registros e o estoque físico, comprometendo-se a colaborar com os órgãos de controle.