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Rússia propõe colaboração com partido de extrema direita na Alemanha

Um assessor de Vladimir Putin manifestou disposição para cooperar com a AfD, que foi a mais votada em uma eleição estadual. A proposta sugere o interesse do Kremlin em movimentos políticos europeus.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Um assessor próximo ao presidente russo, Vladimir Putin, expressou em uma postagem a intenção de colaborar com o partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD). No último domingo, a AfD foi novamente a mais votada em uma eleição estadual, embora não tenha conseguido a maioria para formar um governo em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Esse estado abriga o terminal alemão do sistema de gasodutos Nord Stream, que simbolizava a parceria energética entre Berlim e Moscou na última década. Em 2022, parte do gasoduto foi alvo de sabotagem submarina, um ato que a Alemanha atribui a ucranianos, embora Kiev negue.

Kirill Dmitriev, conhecido como o 'czar dos investimentos' do governo russo, comentou que o estado 'irá prosperar de novo quando o gás confiável e acessível do Nord Stream voltar por meio do trabalho conjunto com a AfD'. A mensagem foi postada no sábado e, mesmo que a AfD conseguisse controlar o estado, não poderia retomar a relação com a Rússia de forma unilateral.

A AfD critica o apoio ocidental à Ucrânia e já manifestou a intenção de restabelecer relações com Putin. O Kremlin, por sua vez, afirmou que a vitória da AfD reflete o aumento dos preços de energia após o rompimento das relações econômicas com a Rússia.

Em contraste, o governo russo criticou a Reunião Nacional da França, liderada por Marine Le Pen, que se opôs à Rússia por ter tomado ativos da empresa Nestlé. Le Pen, que se prepara para a eleição presidencial do próximo ano, busca distanciar-se de Putin, enquanto o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, defendeu que a Rússia 'não é uma ameaça' aos franceses.

Em outra questão, o governo russo impôs um toque de recolher em uma faixa da fronteira com a Estônia por dez dias, gerando especulações sobre possíveis ações militares contra o país membro da Otan. Apesar disso, não há sinais de mobilização militar visível.

O FSB (Serviço Federal de Segurança da Rússia) determinou que uma área de 5 km não pode ter circulação de pessoas e veículos à noite. A navegação em um reservatório próximo deve ser monitorada. A região, que inclui a cidade estoniana de Narva, é um ponto simbólico na disputa entre a Rússia e a Estônia, que se tornou independente em 1991.

A população de Narva é predominantemente de origem étnica russa, o que leva Moscou a considerar a possibilidade de uma retomada. Os estonianos, por sua vez, plantaram bandeiras nacionais e da Otan para afirmar sua soberania. A situação na região é considerada calma, mas sob vigilância durante o toque de recolher, que termina no dia 26.

Os Estados Bálticos são vistos como vulneráveis a uma possível agressão russa, devido à sua geografia. Putin e outras autoridades russas negam ter interesse em um conflito com a Europa, afirmando que incidentes atribuídos a Moscou são fabricados para fomentar a russofobia.

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