A Rússia aumentou sua retórica nuclear nesta quinta-feira, coincidentemente no dia em que finaliza os maiores exercícios atômicos desde o fim da Guerra Fria. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, afirmou que esse tipo de movimentação "sempre é um sinal".
Na véspera, os Estados Unidos realizaram um teste programado de seu míssil nuclear Minuteman-3, embora já tenham cancelado exercícios semelhantes anteriormente para evitar tensões internacionais.
A situação na Europa é de crescente preocupação, especialmente após a declaração de Peskov, que geralmente considera exercícios militares como manobras de autodefesa.
A escalada de tensões ocorre em meio a um aumento de atritos entre a Rússia e os países bálticos, que são membros da Otan e considerados vulneráveis. Recentemente, houve troca de acusações entre Moscou e governos vizinhos, com alertas sobre drones elevando a tensão na região.
A Estônia emitiu um alerta de violação de espaço aéreo, enquanto caças da Otan foram acionados para patrulhar os céus dos países bálticos. A origem dos drones não foi confirmada, mas há suspeitas de que tenham sido lançados pela Ucrânia.
O Kremlin acusou a Estônia e outros países vizinhos de permitir que a Ucrânia utilize seus territórios para atacar a Rússia. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, classificou essa acusação como "ridícula".
Uma fonte próxima ao governo russo indicou que o discurso ameaçador reflete um temor crescente sobre a possibilidade de Vladimir Putin testar os limites da Otan, especialmente com Donald Trump na presidência dos EUA.
O foco da propaganda russa durante os exercícios militares foi o uso de armas nucleares táticas em Belarus, aliado de Moscou. Os exercícios simularam o uso de mísseis Iskander, com alcance de até 500 quilômetros.
A Rússia também divulgou imagens de aviões de ataque Su-25 operando em Belarus, levantando suspeitas sobre o deslocamento de bombas nucleares. A demonstração de força visou os europeus, preocupados com a proximidade das armas nucleares da fronteira da Otan.
Além disso, as simulações incluíram operações com submarinos e bombardeiros, mostrando a capacidade de destruição em larga escala. Essa movimentação militar coincidiu com a visita de Putin ao presidente chinês Xi Jinping.
Atualmente, a Rússia possui o maior arsenal nuclear do mundo, seguida pelos EUA. Apesar de ambos os países terem capacidade para se destruir mutuamente, a falta de acordos de controle de armas aumenta o risco de uma nova corrida armamentista nuclear.