As recentes eleições para deputado federal na Paraíba destacaram uma peculiaridade do sistema proporcional brasileiro: receber mais votos que candidatos eleitos não assegura uma vaga na Câmara dos Deputados. Vários candidatos, mesmo com votações superiores a 60 mil, terminaram a disputa como suplentes.
Um dos casos mais notáveis é o de Romero Rodrigues (Podemos), que buscava a reeleição. Com 96.445 votos, ele não conseguiu uma cadeira, apesar de ter recebido mais votos que quatro deputados eleitos, incluindo Wellington Roberto, que obteve 84.419 votos, e Dr. Damião, com 74.632 votos.
Romero teve 11.813 votos a mais que Wellington, 21.813 a mais que Dr. Damião, 38.991 a mais que George Morais, que recebeu 57.454 votos, e 45.523 a mais que Pollyanna, que alcançou 50.922 votos. Outros candidatos tradicionais também enfrentaram a mesma situação, como Mersinho Lucena (PSD), que com 62.981 votos, e Luiz Couto (PT), com 62.212 votos, ficaram fora da Câmara, apesar de superarem candidatos eleitos.
O sistema proporcional utilizado nas eleições para deputado federal é a chave para entender esses resultados. As vagas não são simplesmente atribuídas com base na quantidade de votos individuais, mas sim considerando os votos totais dos partidos e federações. Isso implica que um candidato pode ter uma votação expressiva e ainda assim não ser eleito, enquanto outro com menos votos pode conquistar uma vaga se seu partido tiver um desempenho favorável.
Na Paraíba, essa dinâmica resultou em Romero Rodrigues, com 96.445 votos, terminando como suplente, enquanto candidatos com votações muito inferiores conseguiram se eleger. O resultado evidencia que, na disputa proporcional, o sucesso individual está intimamente ligado ao desempenho coletivo da legenda ou federação.
Fonte: Simoneduarte