O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitou que nações enviassem navios de guerra ao Estreito de Hormuz para escoltar petroleiros, mas a proposta não teve adesão imediata. Na segunda-feira (16), países como Reino Unido, Alemanha, Itália, Grécia e Austrália rejeitaram a ideia, enquanto Japão e Coreia do Sul ainda analisam a possibilidade de participação.
Trump, em sua rede social, argumentou que países como China, França, Japão e Coreia do Sul deveriam se interessar em manter a passagem estratégica, que é crucial para cerca de um quinto da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito. Desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, há mais de duas semanas, o Irã tem adotado uma estratégia de instabilidade no mercado global de petróleo.
A interrupção parcial da navegação no estreito levou várias nações a recorrerem a reservas emergenciais de energia. O Irã espera que a pressão econômica internacional resulte em um clamor global pelo fim do conflito, assegurando a sobrevivência do regime islâmico. Contudo, a situação permanece incerta com a campanha aérea em andamento.
Após não receber apoio durante o fim de semana, Trump intensificou suas declarações. Em entrevista ao Financial Times, ele afirmou que a falta de apoio europeu seria prejudicial para o futuro da Otan. Os Estados Unidos lideram a aliança militar formada em 1949, que inclui o Canadá e cerca de 30 países europeus.
Trump já havia transferido parte da responsabilidade pelo apoio à Ucrânia aos europeus, suspendendo o envio direto de recursos a Kiev. No atual conflito com o Irã, ele se encontra praticamente isolado, ao lado do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, enquanto muitos países europeus defendem uma abordagem diplomática.
A crise energética global pressiona os governos europeus, levando os Estados Unidos a flexibilizar sanções sobre o petróleo russo. Na sexta-feira (13), forças americanas atacaram a ilha de Kharg, um importante centro de produção de petróleo do Irã, embora os terminais de exportação não tenham sido destruídos.
O Irã, por sua vez, anunciou o fechamento do Estreito de Hormuz e iniciou ataques a navios e instalações petrolíferas de países árabes. Recentemente, autoridades iranianas afirmaram que o estreito estaria aberto apenas para os Estados Unidos, Israel e seus aliados. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que
do nosso ponto de vista, o estreito está aberto
.
Teerã permitiu a passagem de um petroleiro paquistanês, mas continua a realizar ataques com mísseis e drones na região. Um bombardeio atingiu o terminal petrolífero de Fujairah, um dos emirados dos Emirados Árabes Unidos, levando à suspensão das operações de embarque. O aeroporto de Dubai também foi fechado após um ataque com drone.
Araghchi afirmou que a travessia está bloqueada apenas para
petroleiros e navios de inimigos e os aliados deles
, garantindo que outros navios têm passagem livre, mas podem optar por desviar por questões de segurança.