A administração de Abelardo de la Espriella, que está no poder há apenas dois meses, enfrentou um significativo desafio nas ruas da Colômbia. Nesta quarta-feira, manifestantes se reuniram em várias cidades, incluindo Bogotá, Cali e Medellín, para demonstrar sua insatisfação com a gestão do presidente.
Os protestos refletem uma ampla rejeição à agenda econômica e de segurança do governo, além de preocupações com o aumento do custo de vida, a escalada da violência e o retrocesso em conquistas sociais. Os manifestantes também criticaram as tentativas de restringir o direito ao protesto.
A mobilização contou com a participação de sindicatos, coletivos estudantis e o Conselho Regional Indígena do Cauca (CRIC), demonstrando uma aliança diversificada que se estendeu por seis cidades do país. Em Bogotá, a presença do ex-presidente Gustavo Petro e de lideranças progressistas foi esperada.
Os organizadores enfatizaram que o protesto seria pacífico, em resposta a tentativas do governo de deslegitimar as reivindicações da sociedade civil. O Decreto 1525, assinado por De la Espriella, que estabelece regras para a atuação das forças de segurança em manifestações, foi um dos principais estopins para a mobilização.
A oposição interpretou a presença de agentes de segurança nas ruas como uma tentativa de reprimir o direito à manifestação. Essa percepção intensificou o descontentamento, que já era evidente devido ao aumento do custo de vida e ao desmonte de programas sociais.
A Federação Colombiana de Educadores (Fecode) defendeu a educação pública e a saúde dos professores, pedindo a reconstrução de escolas afetadas por desastres naturais e denunciando a estigmatização do sindicalismo docente. Comunidades indígenas e camponesas também se manifestaram contra megaprojetos que ameaçam seus territórios.
Os protestos, portanto, representam um embate significativo entre a população e o governo, apenas dois meses após o início da gestão de La Espriella. As centrais sindicais e movimentos populares veem essa luta como uma defesa de conquistas históricas diante de uma agenda que consideram regressiva.
Fonte: Noticiasaominuto