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Primeiro caso de sarampo em 2026 é registrado em São Paulo

Um bebê de seis meses contraiu sarampo em São Paulo após viagem à Bolívia. A criança não estava vacinada, pois ainda não havia atingido a idade recomendada para a imunização.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

O estado de São Paulo confirmou o primeiro caso de sarampo de 2026, envolvendo um bebê de seis meses que contraiu a doença durante uma viagem à Bolívia. A criança não estava vacinada, pois ainda não havia chegado à idade recomendada para receber a vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

A vacina é aplicada a partir dos 12 meses de idade, devido à presença de anticorpos maternos que podem interferir na resposta imunológica do bebê. Segundo o infectologista pediatra Renato Kfouri, esses anticorpos são transmitidos pela mãe durante a gestação, mas não garantem proteção total contra a doença.

Para bebês entre seis meses e um ano que viajam para áreas com transmissão ativa de sarampo, especialistas recomendam a chamada "dose zero", que oferece proteção parcial, mas não substitui as duas doses do calendário regular.

O aumento de casos de sarampo nas Américas, que cresceu 32 vezes entre 2024 e 2025, levou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) a emitir um alerta. Em 2025, foram registrados 14.891 casos em 13 países do continente.

A Bolívia, onde o bebê contraiu a doença, registrou 597 casos e continua com transmissão ativa. Nos Estados Unidos, a situação é epidêmica, com 2.242 casos no ano passado. No Brasil, foram confirmados 38 casos em 2025, sendo dez deles contraídos fora do país.

Mônica Levi, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), recomenda que bebês em risco façam a dose extra antes de viajar. No entanto, a vacina não é indicada para crianças com menos de seis meses, e especialistas sugerem que, se a vacinação não estiver completa, a melhor opção é evitar viagens.

A dose zero não faz parte do calendário do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e é ativada apenas em situações de surto. Eder Gatti, diretor do PNI, afirma que a vacinação extraordinária não é uma prática comum, e a maioria das famílias precisará buscar a vacina na rede privada.

Além do sarampo, o calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) inclui vacinas contra várias doenças nos primeiros meses de vida. A SBIm recomenda vacinas adicionais que podem oferecer proteção mais abrangente.

Os especialistas enfatizam a importância de manter a vacinação em dia, independentemente de viagens, e sugerem que os pais consultem o pediatra antes de viajar com bebês para avaliar a necessidade de vacinas adicionais.

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