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Prefeitura de Jerusalém negocia impostos com igrejas cristãs

A Prefeitura de Jerusalém busca cobrar impostos municipais de igrejas cristãs, incluindo a Igreja Católica, em negociações que envolvem questões diplomáticas e históricas.
Foto: Noticiasaominuto

A Prefeitura de Jerusalém está em negociações com a Igreja Católica, a Igreja Ortodoxa Grega e a Igreja Ortodoxa Armênia para a cobrança de impostos municipais sobre propriedades dessas instituições na cidade. A informação foi divulgada pela plataforma de jornalismo investigativo Shomrim.

As igrejas, que possuem propriedades em Jerusalém, estão sendo cobradas por "centenas de milhões de shekels" em impostos municipais. Cada denominação está tratando as negociações de forma separada, com a Igreja Católica, por exemplo, tendo contratado uma empresa de lobby dos Estados Unidos para auxiliá-la.

As conversas ocorrem sob a supervisão do Ministério das Relações Exteriores de Israel, dado o impacto diplomático do assunto. Muitas das propriedades em questão estão localizadas em áreas que foram conquistadas por Israel durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e o pagamento de impostos poderia ser visto como um reconhecimento da soberania israelense sobre Jerusalém Oriental.

Atualmente, as propriedades das igrejas estão sendo inventariadas para determinar quais imóveis estarão sujeitos à cobrança e se haverá pagamento retroativo. As igrejas gozam de isenção tributária com base em uma lei do Mandato Britânico da Palestina, que abrange instituições religiosas, educacionais e de saúde.

Nos últimos anos, prefeituras de cidades como Tel Aviv, Nazaré e Ramla começaram a cobrar impostos sobre propriedades religiosas, gerando reações negativas das comunidades cristãs. Em julho de 2024, líderes cristãos enviaram uma carta ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, descrevendo essas ações como um

ataque coordenado à presença cristã na Terra Santa

.

Além disso, no ano passado, a Prefeitura de Jerusalém bloqueou as contas do Patriarcado Ortodoxo Grego, o que levou o Ministério das Relações Exteriores da Jordânia a condenar a medida.

Em resposta às alegações, a Prefeitura de Jerusalém afirmou que está dialogando com representantes das igrejas para resolver a questão das dívidas relacionadas a impostos sobre propriedades não utilizadas como locais de culto.

Documentos obtidos pela Shomrim indicam que reuniões foram agendadas com políticos norte-americanos, incluindo representantes do Senado e da Câmara dos Representantes, para discutir a cobrança de impostos e a crescente violência contra cristãos na região.

Recentemente, um relatório da diretora do Centro Inter-religioso Rossing para Educação e Diálogo, Hana Bendcowski, revelou 155 incidentes contra cristãos em Israel em 2025, incluindo agressões físicas e ataques a propriedades da Igreja. Essa situação tem gerado preocupações sobre a aceitação dos cristãos na região.

Jerusalém Oriental abriga locais sagrados para judeus, muçulmanos e cristãos, como o Muro das Lamentações e a Igreja do Santo Sepulcro.

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