Os preços do petróleo continuam a subir, ultrapassando a marca de US$ 100 por barril, em meio a crescentes tensões no Oriente Médio e preocupações com interrupções no fornecimento global de energia. Nesta sexta-feira, o barril do Brent, referência internacional, estava cotado a US$ 100,30, enquanto o WTI era negociado a US$ 95,98.
Desde o início do conflito na região, o petróleo acumulou uma alta de cerca de 40%, saindo de valores próximos a US$ 60 no começo de 2026. Embora os preços tenham recuado levemente após os Estados Unidos autorizarem a compra temporária de petróleo russo retido no mar, o mercado permanece atento à evolução da guerra.

O Tesouro americano concedeu uma licença de 30 dias para que países adquiram carregamentos de petróleo e derivados russos já embarcados até quinta-feira. Essa medida visa aliviar a escassez no mercado global de energia, mas a volatilidade dos preços continua elevada devido a ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz, uma importante rota de comércio de petróleo.
Mitch Reznick, chefe do grupo de renda fixa da Federated Hermes, comentou que
as notícias estão chegando ao mercado como água de uma mangueira de incêndio, o que está impactando o preço do petróleo e, consequentemente, os mercados financeiros
. O aumento dos preços do petróleo também reacendeu preocupações sobre a inflação global, levando investidores a revisar suas expectativas sobre juros nos Estados Unidos.
Atualmente, o mercado projeta apenas 20 pontos-base de cortes nas taxas pelo Federal Reserve, uma redução em relação aos 50 pontos-base esperados no mês anterior. Analistas alertam que a incerteza persiste, e os investidores devem se preparar para a volatilidade contínua e possíveis novas quedas nos mercados.
No Brasil, a alta do petróleo já mobilizou o governo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para evitar que o aumento do preço da commodity resulte em elevações significativas no preço do diesel. Entre as ações, o governo zerou as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel e criou uma subvenção para produtores e importadores do combustível.
Estima-se que essas medidas possam reduzir o preço do diesel em cerca de R$ 0,64 por litro. Para compensar a perda de arrecadação, foi anunciado um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, visando capturar parte dos ganhos extras dos produtores em meio à alta internacional.
A Petrobras, por sua vez, informou que seu conselho de administração aprovou a adesão ao pacote de medidas do governo. A estatal ressaltou que a adesão é considerada compatível com seus interesses, mas a assinatura do termo de adesão depende da publicação e análise das regras pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
A empresa destacou que mantém sua estratégia comercial focada na participação no mercado e na otimização de ativos, evitando repassar imediatamente aos preços internos a volatilidade das cotações internacionais do petróleo e do câmbio.