O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, indicou que há uma chance de que negociações entre os Estados Unidos e o Irã aconteçam no próximo fim de semana no Paquistão. Essa avaliação surge após o presidente americano ter adotado um tom mais conciliador em relação ao conflito no Oriente Médio.
Em entrevista ao Corriere della Sera, Grossi mencionou que já existem contatos em andamento para facilitar um acordo. No entanto, o governo iraniano continua a negar qualquer diálogo com Washington.
Apesar da negativa de Teerã, o chefe da AIEA acredita que as conversas podem ocorrer em Islamabad e abordar questões delicadas, como o programa nuclear do Irã, o uso de mísseis e as relações do país com grupos aliados na região.
Grossi também destacou que a AIEA está disposta a atuar como mediadora nas negociações, posicionando-se como um
interlocutor imparcial e voltado para a paz
.
O diretor ressaltou que as mais de três semanas de conflito podem ter alterado o cenário diplomático. Ele afirmou:
Três semanas de guerra deixaram marcas. Causaram muitos danos, paralisando a infraestrutura econômica, energética e produtiva do Irã. Isso pode tornar a conversa diferente.
Grossi também sugeriu que as negociações devem ir além de acordos pontuais, envolvendo questões mais amplas. Entre as exigências potenciais dos Estados Unidos estaria a interrupção total do enriquecimento de urânio por parte do Irã.
Ele ainda observou que, apesar dos ataques recentes, as instalações nucleares iranianas não sofreram danos significativos. Desde o início do conflito, a AIEA não mantém presença no Irã, mas o diretor expressou preocupação com os níveis de enriquecimento de urânio.
As declarações de Grossi coincidem com a oferta do Paquistão para sediar negociações entre os dois países, visando encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro. Contudo, o embaixador iraniano no Paquistão reiterou que não há contatos diplomáticos em andamento com os Estados Unidos.
Além disso, os EUA enviaram ao Irã um plano de paz com 15 pontos, que inclui o fim do programa nuclear militar, o abandono do apoio a grupos armados e a abertura do Estreito de Ormuz. Em contrapartida, Washington ofereceria a suspensão de sanções e apoio ao programa nuclear civil iraniano.