A Polícia Federal, sob a atual gestão, revisou o inquérito que investigava alegações de interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na corporação. A conclusão, reafirmada pela segunda vez, é de que não existem provas que sustentem a prática de crimes.
A reabertura da investigação foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, após declarações de Sergio Moro, que, ao deixar o Ministério da Justiça, afirmou ter enfrentado pressões do presidente para alterar cargos na Polícia Federal. Essas mudanças teriam sido motivadas pelo temor em relação ao avanço do inquérito das fake news que envolvia aliados do governo.
Anteriormente, a Polícia Federal já havia concluído que não houve interferência indevida, e o então procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou o arquivamento do caso. Agora, sob a administração de Lula, a PF reavaliou as evidências e reafirmou que não há elementos que justifiquem uma acusação penal.
O delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo, da Diretoria de Inteligência Policial, destacou que o inquérito específico não revelou informações que pudessem justificar imputações penais. Além disso, a PF havia solicitado ao ministro Moraes o compartilhamento de provas do inquérito das fake news que pudessem indicar interferência, mas não recebeu elementos que corroborassem essa hipótese.
A conclusão do relatório sugere que quaisquer indícios de interferência, se existentes, devem ser investigados nos inquéritos sob a relatoria de Moraes. Após a entrega do relatório complementar, o ministro encaminhou o caso ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, que poderá solicitar novas investigações ou optar pelo arquivamento definitivo.