O Partido Liberal (PL) decidiu romper com o governador Ibaneis Rocha e apresentou uma proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O foco da investigação será a fraude relacionada ao Banco Master, que envolve o Banco de Brasília (BRB).
A proposta de CPI surge em meio a uma crescente pressão após a divulgação de um contrato entre o escritório de advocacia de Ibaneis e um fundo da Reag Investimentos, que está sob investigação por sua ligação com as fraudes do Banco Master. O governador é considerado o principal alvo da investigação.
Ibaneis Rocha nega ter conhecimento sobre as negociações, afirmando que está afastado do escritório desde 2018 e não possui informações sobre transações realizadas após seu afastamento.
A decisão de romper com o governador foi tomada pela presidente do PL no DF, deputada Bia Kicis, em conjunto com outros membros do partido. Kicis destacou a urgência da situação, afirmando que "não dá mais para esperar" diante de indícios de desvio de recursos.
Com o rompimento, o PL se aproxima de anunciar sua chapa para as próximas eleições, com a intenção de apoiar a vice-governadora Celina Leão para o Governo do DF. Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro devem concorrer ao Senado.
A crise entre o bolsonarismo e Ibaneis se intensificou após a Câmara Legislativa aprovar um aporte financeiro ao BRB, destinado a cobrir prejuízos relacionados ao Banco Master. Apesar de contar com uma base de 17 deputados, três parlamentares governistas votaram contra o projeto.
O deputado Thiago Manzoni, que lidera a articulação pela CPI, criticou a falta de transparência nas operações do BRB, relembrando um episódio em que a Câmara autorizou a aquisição do Banco Master, posteriormente rejeitada pelo Banco Central.
Enquanto isso, a oposição pressiona o Supremo Tribunal Federal (STF) a investigar o contrato do escritório de Ibaneis com a Reag. O deputado Fábio Felix argumenta que há indícios de relações comerciais que podem estar ligadas às operações financeiras entre o BRB e o Banco Master.
Documentos revelam que o escritório de advocacia de Ibaneis vendeu direitos sobre honorários no valor de R$ 38,13 milhões para o fundo Reag Legal Claims, relacionados a uma ação judicial contra a União. A investigação da Polícia Federal aponta que a Reag estava envolvida em um esquema de fraude financeira.
A defesa de Ibaneis reafirma que ele nunca participou de negociações com a Reag, afirmando que todas as informações que possui sobre o grupo foram obtidas por meio de reportagens.