Uma peça do piso original do Palácio da Redenção, que possui suásticas, agora faz parte da exposição do Museu da Cidade de João Pessoa. O Palácio da Redenção, que foi a sede oficial do governo da Paraíba por quase 200 anos e atualmente abriga o Museu de História da Paraíba, teve esse piso instalado em 1937, durante a gestão do governador Argemiro de Figueiredo.
De acordo com Iam Dantas, responsável pelo museu, a exibição surge de uma necessidade de contar essa parte da história local. Ele explicou que, embora apenas um ladrilho esteja em exposição, o restante das peças permanece guardado no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep-PB), sem previsão de exibição.
O piso com suásticas foi utilizado no Palácio da Redenção por cerca de 60 anos, sendo retirado apenas em 1995, após críticas de historiadores que questionavam a presença desses símbolos associados ao regime nazista. Iam Dantas ressaltou que a decisão de expor a peça se baseia no fato de que ela faz parte da história da cidade, afirmando: 'Por que não exibi-la?'
A instalação dos ladrilhos com suásticas ocorreu em um período marcado pela ascensão do regime nazista na Alemanha. O governador Antônio Mariz, que ordenou a remoção do piso, expressou seu desconforto com os símbolos, afirmando que o Palácio não deveria ser uma vitrine de ideologias extremistas. A promessa de expor essas peças em um museu remonta a 29 anos.
O Palácio da Redenção, construído em 1586, passou por diversas reformas ao longo dos séculos. A instalação das suásticas na década de 1930 gerou controvérsias sobre sua origem e significado. De acordo com o historiador José Octávio de Arruda Melo, a instalação foi feita por Giovanni Gioia, um arquiteto com ligações ao fascismo italiano e que apoiava a aliança entre Mussolini e Hitler.
A historiadora Loyvia Almeida acrescenta que a suástica é um símbolo que foi utilizado por várias civilizações antes de ser apropriado por Hitler, mas não acredita que os ladrilhos do Palácio da Redenção remetam a esse significado anterior. Ela observa que, embora as suásticas nazistas sejam frequentemente representadas em um ângulo de 45 graus, as do piso não estão nessa posição.