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Parlamentares dos EUA pedem respeito às eleições brasileiras

Um grupo de 31 parlamentares dos EUA solicitou ao governo de Donald Trump que não interfira nas eleições brasileiras e que reconheça o resultado oficial do pleito de outubro.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

Um conjunto de 31 parlamentares dos Estados Unidos enviou uma carta ao governo de Donald Trump, pedindo que não haja interferência nas eleições presidenciais do Brasil e que o resultado oficial do pleito de outubro seja respeitado, independentemente do candidato escolhido pelos eleitores.

A correspondência foi encaminhada ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, e é assinada por 30 membros democratas da Câmara dos Representantes, além do senador independente Bernie Sanders. Entre os signatários estão figuras como Alexandria Ocasio-Cortez e Pramila Jayapal.

Os congressistas expressaram preocupação com o que consideram um esforço coordenado da administração Trump para exercer pressão sobre o Brasil antes das eleições. No documento, eles solicitam que o Departamento de Estado esclareça suas ações e se comprometa a respeitar o processo eleitoral brasileiro e o resultado oficial.

Os parlamentares também levantaram questões sobre tarifas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e sanções contra autoridades do país. Este ano, Washington aplicou uma tarifa adicional de 25% sobre certos produtos do Brasil, além de uma taxa de 12,5% sobre mercadorias de diversos países, o que o governo brasileiro considera arbitrário.

Além disso, mencionaram as sanções anteriores ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que ocorreram enquanto ele participava de processos envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Embora as sanções tenham sido retiradas em dezembro de 2025, novas punições foram discutidas em 2026.

Outro ponto abordado na carta foi a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras, uma decisão que o governo brasileiro contestou, argumentando que poderia prejudicar a cooperação em segurança.

Os parlamentares também questionaram a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, que ocorreu em resposta à não aprovação do nome indicado por Trump para a embaixada americana no Brasil.

A carta ainda menciona uma tentativa de integrantes do Departamento de Estado de viajar ao Brasil para analisar o sistema eleitoral, que foi negada pelo governo brasileiro, que temia que a missão pudesse lançar dúvidas sobre a integridade das urnas eletrônicas.

O encontro entre Trump e Flávio Bolsonaro, candidato à presidência pelo PL, também foi destacado. Os parlamentares questionam se a administração americana pretende favorecer algum candidato nas eleições brasileiras, lembrando que Trump já apoiou candidatos em outras eleições na América Latina.

A discussão sobre a interferência externa ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter abordado o tema na Assembleia Geral da ONU, onde criticou interferências em processos eleitorais e afirmou que o Brasil não pertence a ninguém.

Lula também destacou que o Brasil terá um processo eleitoral transparente e competitivo, e que todos os candidatos têm liberdade de expressão, embora tenha alertado sobre redes de desinformação que podem distorcer o debate público.

As eleições brasileiras estão marcadas para 4 de outubro, com Lula e Flávio Bolsonaro em uma disputa acirrada nas pesquisas, ambos com intenções de voto próximas.

Em um evento de campanha, Lula afirmou que está superando Trump em uma 'guerra de narrativas', comparando os discursos dos dois na ONU.

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