A Paraíba vivenciou uma semana de intensa movimentação política entre os dias 2 e 6 de fevereiro, período marcado por anúncios estratégicos, realinhamentos partidários e o aquecimento dos motores para as próximas eleições. O cenário estadual e municipal demonstrou um fervor crescente, com líderes e partidos definindo seus próximos passos e delineando as alianças que moldarão a corrida eleitoral vindoura.
Mudanças Estratégicas no Executivo Estadual
O governo do estado da Paraíba se prepara para uma transição significativa. O atual governador, João Azevêdo (PSB), confirmou sua intenção de desincompatibilizar-se do cargo em 2 de abril para focar na disputa por uma vaga no Senado Federal. Essa decisão abre caminho para que o vice-governador, Lucas Ribeiro (PP), assuma o comando do Executivo estadual, já visando sua própria campanha de reeleição. Vale ressaltar que Ribeiro terá uma experiência prévia na cadeira de governador, com a confirmação de que assumirá interinamente o posto por dez dias ainda em fevereiro. Em meio a essas movimentações, Azevêdo reforçou a continuidade de sua gestão ao anunciar um reajuste linear de 10% para os servidores estaduais e ao discursar na abertura do ano legislativo, sublinhando os feitos e projetos de sua administração.
A Corrida Eleitoral em João Pessoa e a Ampliação de Apoios
Na capital paraibana, João Pessoa, o prefeito Cícero Lucena (MDB) também sinalizou sua aspiração a um cargo estadual, confirmando sua pré-candidatura ao Governo da Paraíba. Esse movimento projeta o vice-prefeito Leo Bezerra (PSB) para a liderança da gestão municipal, com a promessa de manter um diálogo aberto e evitar enfrentamentos políticos desnecessários. Lucena, por sua vez, dedicou a semana a fortalecer suas bases eleitorais, ampliando apoios tanto no interior quanto no Litoral Sul do estado, angariando a adesão de prefeitos, vice-prefeitos e diversas lideranças políticas. Entre os novos aliados, destacam-se o deputado estadual licenciado Fábio Ramalho (PSDB), que passará a atuar pelo PSD em apoio a Cícero, e os vereadores Bosquinho (PV), que mantém diálogo com o ex-deputado Domiciano Cabral, e Wamberto Ulysses (Republicanos), com indicativos de inclinação pelo grupo do atual prefeito. A estratégia de Lucena também envolveu um claro alinhamento com o governo federal de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mantendo um canal de comunicação aberto com o Partido dos Trabalhadores.
O Embate pelo Senado Federal e as Alianças Secundárias
A disputa pelo Senado Federal também ganhou novos contornos na última semana, com declarações que reconfiguram as possíveis alianças. O vereador Milanez Neto, líder da oposição na Câmara da Capital, anunciou seu apoio a João Azevêdo como segundo voto na chapa majoritária. Pelo lado da direita, o vereador Carlão Pelo Bem (PL) manifestou sua disponibilidade para compor a chapa como segundo voto, alinhando-se ao senador Efraim Filho (União Brasil). Enquanto isso, o deputado federal Ruy Carneiro (Podemos) adotou uma postura de possível neutralidade, concedendo liberdade aos filiados de seu partido para escolherem seus candidatos ao governo, indicando uma flexibilidade estratégica do Podemos diante do cenário eleitoral.
Cenário Dinâmico na Câmara Municipal de João Pessoa
A Câmara Municipal de João Pessoa continuou sendo um palco de intensas articulações e mudanças. O suplente de vereador Mô Lima (PP) está previsto para retornar à Casa, ocupando a vaga deixada pelo vereador Tarcísio Jardim (PP), que, por sua vez, oficializou sua adesão à oposição e deverá assumir uma cadeira na Assembleia Legislativa da Paraíba, beneficiando-se da licença da deputada estadual Dra. Jane Panta (PP). Paralelamente, o vereador Guga Pet (PP) estreou no bloco oposicionista, mantendo sua pré-candidatura, e o vereador Zezinho Botafogo (PSB) projetou um crescimento da bancada contrária à atual gestão. Em meio a essas tensões, o líder do prefeito na Câmara, vereador Odon Bezerra (PSB), trouxe à tona denúncias de tentativas de pressão sobre os parlamentares, evidenciando o acirramento do clima político na casa legislativa.
Negociações Partidárias e Desafios Internos
As federações e partidos continuaram suas estratégias para o pleito vindouro. A Federação Brasil da Esperança, composta por PT, PV e PCdoB, avançou nas discussões e planeja definir seu apoio ao Governo do Estado até o mês de março. Internamente, as preferências por vice-candidaturas começaram a surgir: o deputado federal Romero Rodrigues (Podemos) manifestou sua inclinação pelo presidente estadual do PSD na Paraíba, ex-deputado federal Pedro Cunha Lima, como vice de Cícero Lucena. Em contrapartida, o deputado federal Murilo Galdino (Republicanos) defendeu o presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), deputado Adriano Galdino (Republicanos), como o nome ideal para compor a chapa de Lucas Ribeiro.
No Partido dos Trabalhadores, as divergências tornaram-se públicas. O deputado federal Luiz Couto (PT) reforçou seu apoio à pré-candidatura de Lucas Ribeiro e declarou que a legenda liberaria seus filiados para escolherem seus apoios na disputa pelo Governo da Paraíba. Essa afirmação foi rapidamente contestada pela presidente estadual do PT, deputada Cida Ramos, que esclareceu que a fala de Couto não reflete a posição oficial e unificada que vem sendo debatida internamente pelo partido, tanto em nível estadual quanto nacional. Adicionando à complexidade interna, Marcos Henriques, único vereador do PT na capital, defendeu a busca por um apoio coletivo em vez de uma candidatura própria.
As tensões se estenderam entre outras legendas. O presidente estadual do Partido Progressistas (PP), ex-deputado Enivaldo Ribeiro, fez duras críticas ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB). A senadora Daniella Ribeiro (PP), por sua vez, acusou Veneziano de exercer pressão sobre o PT e o Governo Federal. O deputado federal Mersinho Lucena (PP) também se pronunciou, criticando o governador João Azevêdo e sugerindo que este estaria "refém da família Ribeiro", apontando para um cenário de acirramento das relações interpartidárias.
Além das Capitais: Movimentações Municipais e Reajustes Legislativos
Para além dos grandes centros, a política paraibana testemunhou importantes movimentações em nível municipal. A cidade de Cabedelo, por exemplo, registrou o anúncio de Edglêi Ramalho como pré-candidato a vice-prefeito. Declarações de lideranças e mudanças partidárias em diversas localidades reforçam o clima de pré-campanha que se espalha por todo o estado, com os atores políticos se posicionando para as disputas locais. Em um contexto mais amplo da política nacional, mas com impacto nos representantes paraibanos, a Câmara dos Deputados, sob o aval do presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), aprovou reajustes salariais significativos, que podem chegar a R$ 77 mil para determinados cargos, indicando a valorização de certas posições no cenário legislativo federal.
A semana em questão demonstrou a Paraíba em pleno processo de efervescência política, com uma intensa orquestração de candidaturas e apoios. As saídas estratégicas do Executivo estadual e municipal, as reconfigurações na Câmara da Capital e as complexas negociações partidárias sinalizam um cenário de profunda articulação. À medida que se aproxima o prazo final de desincompatibilização em abril, as alianças tendem a se consolidar e as definições se tornarão mais concretas, pavimentando o caminho para as eleições de outubro com um xadrez político cada vez mais intrincado e decisivo.
Fonte: https://fonte83.com.br