A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES-PB) iniciou, nesta quarta-feira, um processo de validação com a Equipe Nacional de Validação (ENV) para certificar a eliminação da transmissão vertical de infecções. O estado busca a recertificação da eliminação da transmissão vertical do HIV e o Selo Prata de boas práticas para hepatites virais.
O primeiro dia de atividades ocorreu no Hemocentro da Paraíba, em João Pessoa, onde foram apresentados a organização da rede estadual, indicadores epidemiológicos e estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento. A programação prossegue nesta quinta-feira com visitas técnicas a serviços de saúde para verificar as informações apresentadas.
A validação abrange quatro eixos principais: programas e serviços de saúde, vigilância epidemiológica e qualidade dos dados, capacidade diagnóstica e qualidade dos testes, além de direitos humanos e participação da comunidade. A avaliação também considera a organização das linhas de cuidado e o acesso a medicamentos.
Joanna Angélica Ramalho, chefe do Núcleo de IST/Aids da SES-PB, destacou que a descentralização do cuidado e o diagnóstico precoce têm sido fundamentais para identificar infecções antes da evolução para quadros mais graves.
A gente tem conseguido ampliar o diagnóstico do HIV antes da evolução para a Aids — afirmou.
Os dados mostram uma redução significativa nos casos de transmissão vertical do HIV entre crianças. Em 2021, foram registrados três casos, e em 2025, esse número caiu para um. A SES-PB tem como meta eliminar completamente os registros de infecções em crianças por transmissão de mãe para filho.
A taxa de diagnósticos precoces também melhorou, com 82% dos casos diagnosticados na fase HIV em 2025, em comparação com 71,6% em 2021. A taxa de detecção de Aids também caiu de 8,1 para 5,9 casos por 100 mil habitantes entre 2020 e 2024.
A prevenção da transmissão vertical começa no pré-natal, com testagem e diagnóstico oportuno. A SES-PB implementou estratégias como acompanhamento compartilhado das gestantes e articulação entre serviços de saúde.
No que diz respeito à sífilis, o estado registrou uma redução de 44,3% nos casos de sífilis congênita entre 2021 e 2025. No entanto, a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce ainda é evidente, com apenas 34,6% das gestantes diagnosticadas no primeiro trimestre em 2025.
Em relação às hepatites virais, a SES-PB apresentou a estrutura de diagnóstico e tratamento, com cobertura laboratorial em todas as macrorregiões de saúde. Rosa Maria da Costa Monteiro, chefe do Núcleo de Hepatites Virais, enfatizou a importância da organização da rede para garantir acesso ao diagnóstico e tratamento adequados.
Desde 2019, a Paraíba conta com um Comitê Estadual de Investigação da Transmissão Vertical, que reúne diversas áreas da saúde para articular estratégias de prevenção. A equipe nacional de validação também avaliará se as ações estão incorporadas à rotina dos serviços de saúde.
Após a avaliação, um relatório será elaborado e enviado à Comissão Nacional de Validação, que tomará a decisão final sobre a certificação e os selos nacionais.
Fonte: Reporterpb