O papa Leão XIV manifestou, em uma carta divulgada pelo Vaticano, sua preocupação com o risco de as democracias contemporâneas se transformarem em uma "tirania majoritária". O pontífice destacou que essa transformação pode ocorrer na ausência de uma base moral e de uma visão ética da dignidade humana.
Na carta, destinada aos participantes de uma reunião da Pontifícia Academia de Ciências Sociais, Leão XIV afirmou que a democracia deve estar enraizada na lei moral para se manter saudável. Ele alertou que, sem esse fundamento, o sistema político pode se tornar uma máscara para o domínio de elites econômicas e tecnológicas.
O papa enfatizou que o poder político deve ser visto como um meio para o bem comum, e não como um fim em si mesmo. Ele ressaltou que a legitimidade da autoridade não deve depender da força econômica ou tecnológica, mas sim da sabedoria e virtude com que é exercida.
Além disso, Leão XIV fez um apelo aos líderes para que evitem a concentração de poder e adotem a temperança como princípio de governo, descrevendo-a como um "freio contra o abuso de autoridade" e contra a "autoexaltação desmedida".
A declaração do papa ocorre em um contexto de tensões entre o Vaticano e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente o criticou nas redes sociais, chamando-o de "terrível" e "muito fraco em política externa". Essa troca de farpas se intensificou após comentários do papa sobre a condução da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.