Nesta quinta-feira, uma operação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) e da Polícia Civil foi deflagrada, visando indivíduos associados ao núcleo financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC). Entre os alvos, destaca-se a influenciadora digital Deolane Bezerra, além de familiares de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e um homem identificado como operador financeiro da facção.
A ação, denominada Operação Vérnix, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado milhões de reais através de empresas de fachada, contas de terceiros e transportadoras de cargas.
Deolane Bezerra, advogada e influenciadora digital com uma vasta audiência nas redes sociais, foi presa em Alphaville, na Grande São Paulo. A investigação a tornou alvo após a identificação de depósitos suspeitos em contas associadas a ela, com o Ministério Público alegando que a influenciadora recebeu diversas transferências fracionadas entre 2018 e 2021, parte delas oriundas de indivíduos suspeitos de atuarem como 'laranjas'. A Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 27 milhões relacionados a Deolane.
Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, considerado o principal líder do PCC, já se encontra preso na Penitenciária Federal de Brasília. Mesmo encarcerado, ele foi alvo de um novo mandado de prisão preventiva relacionado à operação, com o MP afirmando que o esquema investigado está ligado à ocultação de patrimônio da família de Marcola, utilizando empresas e intermediários para movimentar recursos supostamente oriundos do crime organizado.
Alejandro Camacho, irmão de Marcola, também foi alvo da operação e já cumpre pena no sistema penitenciário federal. A investigação aponta que ele teria um papel na estrutura financeira destinada a esconder patrimônio vinculado à facção.
Paloma Sanches Herbas Camacho, sobrinha de Marcola, é mencionada como intermediária em negociações financeiras da família e, segundo a polícia, estaria atualmente na Espanha. Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, outro sobrinho de Marcola, é suspeito de receber parte dos recursos investigados e, conforme informações policiais, estaria na Bolívia.
Everton de Souza, conhecido como 'Player', foi preso na operação e é descrito como operador financeiro do grupo criminoso. Mensagens interceptadas durante a investigação indicam que 'Player' orientava a distribuição de dinheiro e indicava contas bancárias utilizadas na movimentação dos recursos.
O Ministério Público revelou que a investigação desvendou um sistema complexo de lavagem de dinheiro, com camadas de ocultação patrimonial. Uma transportadora de cargas, localizada em Presidente Venceslau, no interior de São Paulo, teria sido utilizada para movimentar recursos atribuídos à cúpula do PCC. Além das prisões, a Justiça bloqueou mais de R$ 357 milhões em bens e valores e apreendeu 39 veículos de luxo avaliados em mais de R$ 8 milhões.
A investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, que revelaram ordens internas da facção e possibilitaram o rastreamento das movimentações financeiras do grupo criminoso.
Fonte: Metropoles