A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal deflagraram a Operação Iscariotes, focando em uma organização criminosa que supostamente recrutava agentes de segurança pública para participar de atividades ilícitas, como contrabando e lavagem de dinheiro. A operação, coordenada pela Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários em Mato Grosso do Sul, resultou no cumprimento de aproximadamente 90 ordens judiciais em diferentes estados.
As investigações revelaram que o grupo se especializava na importação irregular de eletrônicos de alto valor, sem a devida documentação fiscal e fora dos controles aduaneiros. Após a entrada ilegal no Brasil, os produtos eram distribuídos em Campo Grande e enviados para outras regiões, especialmente Minas Gerais. Para evitar a fiscalização, os envolvidos utilizavam veículos adaptados com compartimentos ocultos, misturando as mercadorias ilegais a cargas lícitas.
Os agentes de segurança pública, tanto da ativa quanto aposentados, desempenhavam um papel crucial nas operações do grupo. Segundo a PF, esses agentes teriam fornecido informações sigilosas e participado do transporte das cargas ilegais, utilizando suas funções para facilitar as ações criminosas.
A Justiça Federal autorizou quatro prisões preventivas e emitiu 31 mandados de busca e apreensão. Além disso, dois servidores públicos foram afastados, um investigado recebeu tornozeleira eletrônica e seis tiveram o porte de arma suspenso. A operação também resultou no bloqueio de até R$ 40 milhões em bens de pessoas físicas e jurídicas, incluindo sequestro de imóveis e veículos, além da suspensão de atividades empresariais.
Mais de 200 policiais federais participaram da operação, que ocorreu em Campo Grande e Dourados, além de Belo Horizonte, Vespasiano e Montes Claros, com o apoio de corregedorias de forças de segurança.
Fonte: Metropoles