O alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, solicitou nesta terça-feira que investigadores internacionais tenham acesso à Faixa de Gaza. O objetivo é coletar e preservar provas relacionadas a possíveis violações do direito internacional e crimes de guerra durante a ofensiva israelense na região.
Türk destacou que restos mortais que aparentam pertencer a famílias inteiras estão sendo recuperados de áreas devastadas por ataques israelenses.
Estão sendo exumados, atualmente, em locais devastados pelos ataques israelenses, os restos mortais do que parecem ser famílias inteiras — afirmou em comunicado.
A descoberta de uma grande quantidade de corpos sob os escombros na cidade de Gaza levanta preocupações sobre possíveis crimes de guerra e outras violações graves. O alto-comissário expressou receio de que os restos mortais recuperados até agora representem apenas uma fração das vítimas ainda soterradas.
Türk observou que grande parte de Gaza foi destruída por bombardeios ou por operações de demolição realizadas com máquinas pesadas e explosivos. Ele também mencionou que áreas onde as forças israelenses estão posicionadas continuam sendo niveladas, o que pode comprometer a preservação de restos mortais e evidências.
Diante desse contexto, Türk defendeu a necessidade de autorização para que investigadores internacionais possam acessar todas as áreas da Faixa de Gaza, visando preservar evidências de possíveis violações e documentar adequadamente as vítimas.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos informou que Israel tem negado a entrada de equipamentos pesados para remoção de escombros. Dados do órgão indicam que a Defesa Civil palestina recuperou mais de 630 corpos e outros restos humanos de edifícios destruídos entre novembro de 2025 e setembro de 2026.
Estima-se que mais de 8 mil pessoas dadas como desaparecidas possam estar ainda sob os escombros. Türk enfatizou a importância de documentar e identificar as vítimas, preservar informações forenses e manter as famílias informadas sobre o destino de seus entes queridos.
Entre os corpos recuperados, 74 eram crianças e 106 mulheres. Para Türk, o direito das famílias vai além da identificação e do enterro digno, afirmando que elas merecem saber toda a verdade sobre o destino de seus entes queridos.
O pedido da ONU visa garantir que possíveis evidências sejam preservadas e analisadas de forma independente, especialmente em áreas onde a destruição pode dificultar a identificação das vítimas e a compreensão das circunstâncias das mortes.
Fonte: Noticiasaominuto