A Organização Mundial da Saúde (OMS) convocou um grupo de especialistas para discutir estratégias de vacinação em resposta ao surto de Ebola que avança no leste da República Democrática do Congo. A situação é alarmante, com mais de 500 casos suspeitos e pelo menos 130 mortes associadas ao surto, que é causado pela variante Bundibugyo do vírus, para a qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados.
A OMS e o Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC) classificaram a situação como uma emergência de saúde pública, o que elevou a preocupação das autoridades sanitárias. A variante Bundibugyo pode apresentar uma taxa de mortalidade de até 40%.
Durante a reunião, os especialistas discutirão a possibilidade de utilizar vacinas desenvolvidas para outras variantes do Ebola, como a Ervebo, da farmacêutica Merck, que é aprovada para a cepa Ebola Zaire. Estudos em animais sugerem que essa vacina pode oferecer alguma proteção contra a variante Bundibugyo.
Além das vacinas, também serão avaliados tratamentos experimentais. Mosoka Fallah, diretor interino do departamento de ciência do Africa CDC, destacou a importância de analisar as evidências disponíveis para decidir a melhor abordagem diante da ausência de medidas específicas aprovadas.
A decisão sobre o uso emergencial de vacinas ou o início de testes clínicos dependerá dos governos da República Democrática do Congo e de Uganda, onde também foram identificados casos confirmados. A aliança internacional Gavi já disponibilizou 2 mil doses de vacinas no Congo para possíveis estudos clínicos ou uso controlado.
Entretanto, pesquisadores alertam que controlar o surto pode ser desafiador. Richard Hatchett, diretor da Coalition for Epidemic Preparedness Innovations (CEPI), lembrou que um surto anterior na mesma região levou cerca de dois anos para ser controlado, mesmo com vacinas disponíveis na época. A situação de segurança na região complica ainda mais as ações de contenção e os testes clínicos.
A dificuldade em desenvolver uma vacina específica para a variante Bundibugyo se deve à sua raridade e imprevisibilidade. Courtney Woolsey, professora assistente da Universidade do Texas Medical Branch, explicou que a baixa frequência desses surtos cria barreiras significativas para a realização de estudos clínicos que comprovem a eficácia das vacinas.
O Ebola é uma doença viral grave transmitida pelo contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, apresentando sintomas como febre alta, dores musculares, vômitos, diarreia e sangramentos. Os surtos mais frequentes ocorrem na África Central e Ocidental, e a doença ganhou notoriedade após a epidemia de 2014 a 2016, que resultou em mais de 11 mil mortes.