Com o crescimento da internet e a popularização das redes sociais, organizações terroristas têm adotado novas estratégias para recrutar integrantes. Estudos apontam que o Brasil está entre os países mais conectados do mundo, e, em meio a conteúdos de entretenimento, há camadas que conectam usuários brasileiros a grupos criminosos em diversas partes do planeta.
O algoritmo desempenha um papel crucial nesse contexto. Embora o conceito exista há mais de mil anos, sua popularidade aumentou com o advento da internet. Para entender essa relação, a coluna entrevistou Laerte Peotta, professor da Universidade de Brasília (UnB) e especialista em sistemas de recomendação.
Peotta explica que o algoritmo é uma sequência de instruções matemáticas que orienta um sistema sobre como agir com determinados dados, sem intenção ou ideologia. No ambiente digital, ele decide quais conteúdos aparecem na tela de cada usuário, funcionando como um sistema de previsão que calcula, com base no comportamento anterior, quais conteúdos têm maior probabilidade de prender a atenção.
O especialista destaca que o algoritmo não determina o que é verdadeiro ou falso, mas mede a probabilidade de interação. Cada curtida, comentário ou vídeo assistido gera dados que alimentam o sistema, permitindo que a plataforma estime o que mantém o usuário conectado por mais tempo.
As plataformas operam com três camadas de informação: o que o usuário já consumiu, o que pessoas com comportamento semelhante consumiram e o que está gerando mais interação no momento.
Não existe um editor humano decidindo manualmente o que vai para cada usuário. É um processo estatístico
, explica Peotta.
Se um usuário assiste repetidamente a vídeos sobre política, o sistema interpreta que há interesse nesse tema. Se ele interage mais com conteúdos críticos, o algoritmo ajusta as próximas recomendações. Esse mecanismo pode facilitar o acesso a conteúdos extremistas.
Investigações da Polícia Federal e das polícias civis revelaram que as redes sociais têm sido utilizadas para disseminar esse tipo de conteúdo. Em fevereiro deste ano, a Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou uma operação contra um grupo chamado Geração Z, que planejava ataques terroristas em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Um dos grupos no Telegram contava com mais de 7 mil pessoas interessadas em participar dos crimes.
Em resposta, o Telegram afirmou que remove conteúdos que violam seus termos de uso e que coopera com as autoridades dentro dos limites legais.
Fonte: Metropoles