Atualmente, o nível de água do Sistema Cantareira, que abastece cerca de metade da região metropolitana de São Paulo, está em 35,3% de sua capacidade total. Esse índice é semelhante ao registrado no mesmo período do ano passado, quando o reservatório estava em 38,4% em 13 de agosto de 2025.
O início deste ano foi marcado pelo menor nível do reservatório desde a crise hídrica de 2014 e 2015, com apenas 19,29% em 13 de janeiro. Diante desse cenário, esperava-se uma queda mais acentuada.
Entretanto, ações implementadas pela Sabesp ao longo do último ano, como a redução da pressão da água durante a noite e o aumento da captação de água do sistema que abastece parte do estado do Rio de Janeiro, contribuíram para que a diminuição do nível do Cantareira fosse menos drástica.
A Gestão de Demanda Noturna (GDN), iniciada em agosto de 2025, resultou em uma economia de aproximadamente 191 bilhões de litros de água até a data atual, o que equivale ao consumo mensal de cerca de 33 milhões de pessoas.
Além disso, a Agência Nacional de Águas (ANA) autorizou um aumento na captação do rio Jaguari, permitindo que o volume máximo de água transposto para o reservatório Atibainha em 2026 subisse de 162 hm³ para até 268,28 hm³, um aumento de 66%. Essa medida é válida até 31 de dezembro.
A ANA destacou que essa ampliação temporária já havia sido aplicada em anos anteriores, como em 2021 e 2025, em resposta à persistência da estiagem.
Outro fator que ajudou a desacelerar a queda do nível do Cantareira foi a precipitação acima do esperado em junho, especialmente nos afluentes do sistema. As chuvas registradas em junho e na semana de 20 a 26 de julho, que foram 177% superiores ao previsto, resultaram na mudança da faixa 3 para a faixa 2 na curva de contingência do Cantareira.
Essa alteração é distinta da aplicada pela ANA e pela SP Águas, que mantêm o sistema na faixa 3, de alerta, permitindo à Sabesp retirar até 27 metros cúbicos por segundo do sistema.
Com a mudança de faixa, a Arsesp anunciou, em 31 de julho, a redução da GDN de 10 para 8 horas em toda a região metropolitana.
Ainda há a expectativa de uma queda maior no nível do Cantareira e em todo o Sistema Integrado Metropolitano (SIM), que atualmente está com 46,2% de sua capacidade. O fenômeno El Niño, que já se faz presente, pode atrasar o início da estação chuvosa, normalmente prevista para outubro, o que pode agravar a situação dos reservatórios.
Fonte: Noticiasaominuto