Joelison Fernandes da Silva, conhecido como Ninão e considerado o homem mais alto do Brasil, voltou a andar após enfrentar a amputação das duas pernas.
Aos 41 anos e com 2,37 metros de altura, o paraibano recebeu próteses desenvolvidas sob medida, capazes de suportar seus aproximadamente 185 quilos.
A história foi mostrada neste domingo (1º) pelo Fantástico, da TV Globo, que acompanhou a viagem de Ninão até Sorocaba, no interior de São Paulo, e os primeiros passos durante o processo de reabilitação.
Não queria nem andar, queria correr. Eu sou teimoso
, brincou Ninão ao experimentar os equipamentos.
A conquista marca uma nova etapa na vida do paraibano, que passou por duas amputações em consequência de complicações de saúde.
Natural de Assunção, no interior da Paraíba, Joelison começou a apresentar um crescimento acelerado ainda na infância.
Aos 10 anos, já media 1,70 metro, aproximadamente a mesma altura do pai. Aos 14, havia alcançado 1,96 metro e recebeu o diagnóstico de gigantismo.
A condição é caracterizada pela produção excessiva do hormônio do crescimento e pode estar associada a alterações na hipófise, glândula localizada na base do cérebro.
No caso de Ninão, os médicos identificaram um tumor benigno. O paraibano contou que teve medo da cirurgia e adiou o procedimento.
Aos 21 anos, já media 2,29 metros. Mesmo depois de passar pela operação, cresceu mais oito centímetros, chegando aos atuais 2,37 metros.
De acordo com o RankBrasil, Ninão é reconhecido como o homem mais alto do país.
A altura incomum também trouxe dificuldades ao longo da vida, desde encontrar roupas e sapatos até adaptar móveis e espaços dentro de casa.
Com o passar dos anos, Joelison desenvolveu diabetes e enfrentou complicações de saúde.
Uma infecção óssea grave, conhecida como osteomielite, comprometeu sua perna direita e levou à primeira amputação, em 2021.
No ano seguinte, ele conseguiu voltar a dar alguns passos utilizando uma prótese fabricada por uma clínica de João Pessoa.
Entretanto, os problemas de saúde continuaram. Em outubro de 2025, uma nova infecção levou à amputação da perna esquerda, realizada no Hospital de Clínicas de Campina Grande.
Sem as duas pernas, Ninão precisou enfrentar novos desafios para se locomover e realizar atividades cotidianas.
Depois de fazer um pedido de ajuda nas redes sociais, o paraibano chamou a atenção de uma clínica especializada de Sorocaba, no interior paulista.
Os profissionais aceitaram desenvolver duas próteses capazes de suportar o peso e a altura de Joelison.
O processo exigiu medições, moldes personalizados e testes de resistência.
Cada prótese pesa aproximadamente seis quilos. Os pés artificiais medem 38 centímetros de comprimento, tamanho equivalente à numeração 60.
Os componentes passaram por testes na Rússia, realizados por uma empresa especializada na fabricação de equipamentos ortopédicos.
Segundo Dmitry Nizamov, representante da fabricante, o projeto apresentou desafios inéditos.
Nunca tínhamos feito nada assim. É bem possível que estas sejam as maiores próteses de pé já produzidas no mundo — afirmou.
Os pés foram submetidos a testes de resistência com cargas de até 700 quilos.
Ao experimentar os novos equipamentos, Ninão iniciou os exercícios de equilíbrio e caminhada com acompanhamento de profissionais de reabilitação.
A reportagem do Fantástico mostrou o paraibano dando passos entre barras paralelas e realizando atividades para recuperar a coordenação motora.
Ele também treinou com obstáculos, pesos e bola, chegando a tentar fazer embaixadinhas.
Para Ninão, o momento representou a possibilidade de recuperar parte da autonomia perdida depois das amputações.
Sensação de liberdade. Liberdade de voltar pra casa de pé — declarou.
A mãe, Divanilda Fernandes da Silva, acompanhou a recuperação do filho e comemorou os primeiros passos.
Eu já vi ele andando, já é uma felicidade que não cabe no peito — afirmou.
Divanilda também destacou a independência do filho, que sempre procurou manter uma rotina ativa apesar das dificuldades.
Ninão anda de moto, Ninão faz tudo que gente com duas pernas não faz
, contou.
Além de recuperar a capacidade de caminhar, Joelison tem outro objetivo: voltar a praticar esportes.
Entre 2022 e 2024, o paraibano integrou a seleção brasileira de vôlei sentado e participou do Campeonato Mundial de 2022, quando o Brasil conquistou a medalha de bronze.
Ele também passou a treinar arremesso de peso.
Agora, com as novas próteses, pretende retomar gradualmente as atividades esportivas, respeitando as etapas de adaptação e reabilitação.
Fonte: Notícias ao Minuto Brasil