O câncer de ovário é notoriamente silencioso e apresenta sintomas vagos, o que pode atrasar o diagnóstico. Ana Prado, de 46 anos, gerente comercial de São Paulo, começou a sentir dores nas costas após treinos intensos, acreditando que era resultado de um esforço excessivo na academia. Sem melhora, buscou ajuda médica e recebeu o diagnóstico de contusão muscular, mas a dor persistiu.
Após sentir falta de ar e cansaço extremo durante uma caminhada, Ana consultou uma médica por telemedicina, que a orientou a ir ao pronto-socorro. Exames confirmaram a presença de derrame pleural, resultando na retirada de 3,5 litros de líquido do pulmão. Até então, não havia suspeita de câncer.
O diagnóstico de câncer de ovário veio dias depois, surpreendendo tanto Ana quanto a equipe médica, já que os sintomas iniciais não estavam relacionados à região ginecológica. A oncologista Débora Dornellas, do Einstein Hospital Israelita, explica que esse tipo de descoberta é comum, pois a doença não possui exames de rastreio e frequentemente é diagnosticada em estágios avançados.
Após o diagnóstico, Ana iniciou rapidamente a quimioterapia, que incluiu seis ciclos e uma cirurgia para remoção dos ovários, trompas e útero. Apesar do tratamento intenso, ela manteve sua rotina, trabalhando em home office e se exercitando sempre que possível. A atividade física, especialmente a dança, foi fundamental para seu bem-estar durante o tratamento.
Ana continua em tratamento de manutenção e já retomou grande parte de sua rotina. A experiência a fez perceber a importância de ouvir o corpo e a oncologista reforça que a atenção aos sintomas é crucial para um diagnóstico precoce, aumentando as chances de um tratamento eficaz.