O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) identificou, entre janeiro e maio de 2023, pelo menos 132 suspeitos de envolvimento em crimes digitais relacionados ao extremismo, discurso de ódio e incitação à violência. As investigações foram conduzidas pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) e resultaram em ao menos 10 operações policiais em 21 unidades da Federação, com maior concentração em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
A democratização do acesso à internet tem contribuído para a radicalização e o planejamento de ações violentas, conforme apontado em uma reportagem anterior. O acesso a conteúdos de ódio e a conexão entre indivíduos com ideias radicais aumentaram significativamente.
A operação mais recente da Polícia Federal (PF) ocorreu em 19 de junho, em Jaraguá (GO), visando um adolescente suspeito de coordenar grupos que propagam conteúdos extremistas e incentivam a prática de crimes. O delegado Paulo Henrique Benelli, coordenador do Ciberlab, explicou que o laboratório utiliza tecnologia para identificar autores de crimes na internet e auxiliar na desarticulação de grupos criminosos.
O Ciberlab monitora conteúdos extremistas em ambientes digitais, incluindo deep web e dark web, com o objetivo de identificar ameaças e mapear a disseminação de discursos violentos. Segundo Benelli, os indivíduos identificados têm entre 9 e 35 anos, e muitos adolescentes atuam na disseminação de conteúdos violentos.
Geralmente, são adolescentes que incentivam meninas a se automutilarem ou propõem desafios envolvendo violência contra animais e pessoas — afirmou o delegado. O rastreio dos suspeitos inicia com o monitoramento de ambientes digitais e informações de plataformas e organismos internacionais, que são analisadas e consolidadas em relatórios de inteligência.
Esses relatórios são enviados às polícias responsáveis, que realizam as operações, como as 10 ações já realizadas em 2023, todas com o apoio do Ciberlab.
Fonte: Metropoles