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Marcelo Fernandes comenta demissão e falta de acordo no Botafogo-PB

Após um pouco mais de um mês, o técnico Marcelo Fernandes deu mais detalhes sobre sua saída do Botafogo-PB. Em entrevista ao Arena Correio, o ex-treinador do Belo revelou que precisou pagar sua própria passagem e a do.....
Foto: Arenacorreio

Após um pouco mais de um mês, o técnico Marcelo Fernandes deu mais detalhes sobre sua saída do Botafogo-PB. Em entrevista ao Arena Correio, o ex-treinador do Belo revelou que precisou pagar sua própria passagem e a do auxiliar para deixar João Pessoa. Ele também classificou a demissão como desleal e disse que irá acionar a Justiça por falta de acordo sobre a rescisão contratual.

Marcelo Fernandes deixou o clube em 26 de setembro, após assumir a equipe na luta contra o rebaixamento da Série C do Brasileiro. Depois de quatros derrotas consecutivas , o time reagiu, emplacou 11 jogos invictos e terminou a primeira fase na liderança, garantindo vaga no quadrangular do acesso.

Na fase decisiva, porém, o Botafogo-PB perdeu os três primeiros jogos e empatou sem gols com o Maringá, resultado que marcou o fim do trabalho de Marcelo Fernandes e do executivo de futebol Fernando Leite.

O treinador disse que foi surpreendido pela demissão, comunicada ainda no vestiário, e que esperava continuar no clube, apesar da eliminação na disputa pelo acesso.

Não, eu não esperava ser demitido. A diretoria confiou no nosso trabalho, tanto que a gente chegou onde chegou, do 18º ao primeiro lugar. Realmente, não esperávamos, por mais que os resultados não estivessem bons no quadrangular, mas a equipe estava desempenhando

, relembrou.

Segundo Marcelo, nenhuma justificativa foi apresentada diretamente a ele. O técnico afirmou que, no dia seguinte, Fillipe Félix, presidente da SAF, explicou a Fernando Leite que a decisão considerava uma possível chegada de novos investidores na Belo SAF.

Achei que não tinha nada a ver, mas, como ele é o dono do clube, a gente tem que acatar. Faz parte do processo, mesmo que tenha sido de uma forma muito, muito desleal e desnecessária — declarou.

Marcelo Fernandes ao lado de Fillipe Félix na sua apresentação como técnico do Botafogo-PB (Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Marcelo também relatou que não houve acordo para o pagamento da rescisão e que o clube não custeou as passagens de volta dele e do auxiliar.

Foi uma falta de respeito muito grande com a gente, porque não esperávamos esse tipo de tratamento. Saímos sem nada. Nem a passagem de volta foi dada, nem para mim nem para o meu auxiliar Marcelo Copertino.

De acordo com o treinador, o contrato era válido até 30 de outubro e previa multa equivalente a dois salários em caso de demissão. Ele afirmou que abriu mão de parte dos valores que tinha direito, mas a proposta do clube ficou abaixo do esperado e previa parcelamento.

Falei que não queria nenhum tipo de multa, porque gostamos muito de trabalhar ali. Vamos dizer que deviam 10 para nós. Se fossem consideradas as multas, seriam 15. Nós não quisemos os 15, muito menos os 10. Falamos para eles, na única conversa que tivemos, que nos dessem 8 para que pudéssemos ir embora com a passagem e deixar tudo certo. Não foi isso que aconteceu. Muito pelo contrário: retornaram a ligação dizendo que dariam 5, em três vezes. Foi um absurdo muito grande, e ficamos muito chateados

.

O técnico lamentou a forma como se encaminhou sua saída do Botafogo-PB. Ele ressaltou que foi bem acolhido pela torcida, pela cidade e pelo clube, mas afirmou que faltou respeito por parte de quem o contratou.

Sinto-me muito magoado com isso, mas jamais vou colocar o clube e a torcida da cidade nesse bolo. É simplesmente a pessoa que me contratou. Ela não foi, no final, a mesma pessoa que falou comigo no começo. Agora, temos que procurar nossos direitos. Logicamente, não queríamos isso

, contou.

Marcelo Fernandes ao lado de Marcelo Copertino, auxiliar técnico (Foto: João Neto/Botafogo-PB)

Sobre o desempenho no quadrangular, Marcelo Fernandes negou que problemas internos ou interferências da diretoria tenham prejudicado a equipe. Segundo ele, até a sua saída, os pagamentos aos jogadores estavam em dia, embora, posteriormente, houvesse pendências relacionadas à imagem de agosto e a uma premiação pela classificação.

“Estava tudo em dia e faltava pagar simplesmente a imagem de agosto, que vencia no dia 20 de setembro. Então, quando há alguns dias de atraso, a gente até entende, porque, às vezes, é uma questão de fluxo de caixa. O que também estava pendente era um bicho pela nossa classificação, mas são coisas naturais do dia a dia. Quero deixar bem claro é que, em nenhum momento, vamos usar isso como muleta para justificar o fato de a bola não ter entrado na fase final. Não quero deixar essa mensagem para o torcedor. A verdade é uma só: a gente tentou demais jogar, mas, infelizmente, não conseguiu”, completou.

Confira a entrevista de Marcelo Fernandes na íntegra

Sobre a demissão

“Não, eu não esperava ser demitido, até porque, por todo o processo que foi feito no Botafogo-PB, eu não sei se você lembra, quando nós começamos, perdemos uma sequência de quatro jogos. A diretoria confiou no nosso trabalho, tanto que a gente chegou onde chegou, do 18º ao primeiro lugar. Realmente, não esperávamos, por mais que os resultados não estivessem bons no quadrangular, mas a equipe estava desempenhando.

Só no jogo contra o Maringá, no Willie Davids, realmente jogamos muito abaixo e continuamos no cargo. No jogo contra o Floresta, em casa, e contra o Maringá, também em casa, fizemos outros bons jogos, mas a bola não entrou.

A nossa demissão foi uma loucura, porque eu estava sentado no vestiário e o Fernando, que também foi demitido, chegou para mim e falou que não haveria coletiva. Eu perguntei: ‘Como não haverá coletiva? Tem que ter coletiva, porque, se a gente dá coletiva quando ganha, tem que dar quando perde. A gente tem que dar satisfação ao torcedor e à própria imprensa’.

Quando fui falar sobre isso e me levantei para ver quem era o responsável por organizar a coletiva, o Felipe Nascimento, que é a pessoa encarregada da SAF e está abaixo do Fillipe Félix, nos chamou no anexo do vestiário e falou que não haveria coletiva porque a gente seria desligado do clube. Eu falei: ‘Ah, é por isso? Então, tá bom’. Não teve coletiva, e foi assim que soube que estava desligado do clube: fui perguntar sobre a coletiva.”

Justificativa para a demissão

“Justificativa nenhuma. A justificativa foi dada pelo Fernando no outro dia. Ele falou com Fillipe Félix, que disse que havia nos contratado e não queria que a gente continuasse daquela maneira, porque também estava vendo as coisas para sair e não queria nos deixar naquela situação.

Achei que não tinha nada a ver, mas, como ele é o dono do clube, a gente tem que acatar. Faz parte do processo, mesmo que tenha sido de uma forma muito, muito desleal e desnecessária. Mas, como funcionários, tínhamos que acatar.”

Falta de acordo na rescisão

“Nada, absolutamente nada. Chegaram para nós e só falaram aquilo. Esperamos de três a quatro dias em João Pessoa, tanto eu quanto o Marcelo Copertino. O Fernando Leite ficou lá por mais tempo e acabou sendo desligado nesses dias. Ele até acertou um novo contrato com o Caxias.

Nós não tivemos nenhum tipo de respaldo, nada. Logicamente, a pessoa que cuida dos nossos negócios já colocou um advogado à disposição, e esse advogado entrou em contato com o clube. Mas, infelizmente, nada foi feito, nada foi proposto, nada foi colocado para que a gente pudesse ter uma saída tranquila.

A gente fica chateado porque confiou demais na seriedade do projeto. Confiamos muito e respeitamos tudo o que aconteceu, até porque, quando chegamos lá, era simplesmente para não deixar o time cair, e nós chegamos onde chegamos.

Foi uma falta de respeito muito grande com a gente, porque não esperávamos esse tipo de tratamento. Saímos sem nada. Nem a passagem de volta foi dada, nem para mim nem para o meu auxiliar Marcelo Copertino.”

Sobre possíveis problemas internos

“Não, interferência zero. Até porque, se houvesse 1% de interferência, eu não seria o treinador do Botafogo-PB. Nunca se meteram absolutamente em nada.

Na época, o que eu disse foi que estava tudo sob controle, porque nós estávamos jogando. O clube devia a imagem de agosto, que seria paga em setembro, mas ainda estava dentro do prazo, porque saí no dia 26 e o pagamento da imagem teria que ser feito no dia 20. Então, quando há alguns dias de atraso, a gente até entende, porque, às vezes, é uma questão de fluxo de caixa. As coisas podem acontecer e, realmente, estava tudo em dia. O que também estava pendente era um bicho pela nossa classificação, mas essas são coisas naturais do dia a dia.

O que quero deixar bem claro é que, em nenhum momento, vamos usar isso como muleta para justificar o fato de a bola não ter entrado na fase final. Não quero deixar essa mensagem para o torcedor, porque não foi isso. A verdade é uma só: a gente tentou demais jogar, mas, infelizmente, não conseguiu.

Não foi um problema de falta de pagamento, porque, hoje, logicamente, as coisas extrapolaram mais. O pagamento da imagem, que deveria ter sido feito no dia 20 do mês passado, já está atrasado, mas estou sabendo que ele está pagando agora, inclusive a imagem. Nós saímos sem nada.

Possibilidade de continuar o trabalho em 2027

“O meu contrato e o do Marcelo Copertino, que é meu auxiliar direto, não foram feitos a longo prazo. Foram firmados até o dia 30 de outubro, o que é normal, é praxe nos clubes.

Mas vou ser sincero: por tudo o que aconteceu no dia a dia, pela condução que tivemos no CT e pelo trabalho que deixamos, vocês podem perguntar a qualquer jogador ou funcionário do CT do Botafogo-PB o que eu e meu auxiliar direto fizemos, junto com a comissão técnica que também trouxemos para o clube. Nós, sim, esperávamos começar um novo trabalho. Até porque iríamos montar o elenco e organizar algumas coisas que precisavam ser colocadas em ordem para aprimorar o projeto. Tínhamos muita esperança de começar esse trabalho do zero, pois demos uma resposta e mostramos o que viemos fazer. Mas, infelizmente, esse não foi o pensamento. Preferiram nos mandar embora faltando dois jogos, e ficamos muito tristes com tudo isso.

Volto a dizer: infelizmente, o futebol brasileiro está há 24 anos na fila por uma Copa do Mundo. Estou dando uma dimensão maior à questão para mostrar como essas coisas acontecem no futebol brasileiro, com absurdos como esses.

Mas, volto a dizer, temos que aceitar, por mais que não concordemos, porque faz parte do nosso trabalho. Cabe a nós agora procurar nossos direitos e buscar um lugar ao sol.

Fico muito feliz por ter feito o trabalho que fiz no Botafogo-PB, porque foram 11 jogos invictos, algo que nenhum time havia conseguido na Série C desde a criação da competição. Sou muito grato ao Botafogo-PB pela oportunidade que me foi dada. Volto a dizer isso sempre: nunca deixo de falar da oportunidade que recebi, tanto da própria SAF quanto do Botafogo-PB. Mas a questão do respeito e da seriedade que acreditávamos existir realmente veio por água abaixo com essas atitudes, pelas quais jamais imaginávamos passar.”

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