O presidente Lula (PT) se destaca entre os eleitores que se identificam como de centro, superando o senador Flávio Bolsonaro (PL) em cenários de primeiro turno, conforme indica uma pesquisa do Datafolha realizada no início deste mês. Esses eleitores, que não têm vínculos prévios com o petismo ou o bolsonarismo, podem ter um papel crucial nas eleições de outubro.
Na pesquisa, os entrevistados foram convidados a se posicionar em uma escala de 1 a 7, onde 1 representa a extrema esquerda e 7, a extrema direita. O eleitor de centro é identificado com o número 4. Nos cenários testados, Lula aparece com 31% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 17%. Outros candidatos, como Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD), têm 9% e 6%, respectivamente.
A margem de erro para o grupo de centro é de cinco pontos percentuais. A pesquisa foi realizada entre 3 e 5 de março de 2026, com 2.004 entrevistas em 137 municípios, e está registrada no TSE sob o código BR-03715/2026.
Em uma análise mais ampla, Lula também lidera Flávio em todo o eleitorado, com uma diferença de cinco a seis pontos percentuais, dependendo do cenário. Na pesquisa espontânea, 15% dos eleitores de centro afirmam que votariam em Lula, enquanto apenas 2% mencionam Flávio e Jair Bolsonaro.
No segundo turno, Lula conta com 41% das intenções de voto entre os eleitores de centro, enquanto Flávio tem 32%, o que indica um empate técnico. Outros 24% afirmam que votariam em branco, e 3% não sabem. Entre o total de eleitores, a diferença é menor, com Flávio marcando 43% e Lula 46%.
O Datafolha também explorou a identificação política dos entrevistados em uma escala de 1 a 5, onde 1 é bolsonarista e 5 é petista. Entre os que se consideram neutros, Lula e Flávio estão tecnicamente empatados, com Lula à frente por uma margem de sete a dez pontos percentuais.
A rejeição é um fator importante nas campanhas, e entre os eleitores de centro, 45% afirmam que não votariam em Lula, enquanto 51% dizem o mesmo sobre Flávio. Para aqueles que não se identificam com nenhum dos polos, as porcentagens são de 48% e 50%, respectivamente.
O professor de ciência política Sérgio Simoni destaca que, embora Lula tenha uma vantagem entre os eleitores de centro, é necessário cautela na interpretação dos dados, pois a autoidentificação pode não refletir a mesma compreensão do termo 'centro'.
A pesquisa também revela que a maioria dos eleitores de centro prefere que as ações do próximo presidente sejam diferentes das de Lula, com 79% concordando com essa afirmação. A polarização entre bolsonaristas e petistas é evidente, com cada grupo representando cerca de um terço do eleitorado.
Simoni observa que, apesar da divisão entre os dois grupos, há uma significativa quantidade de eleitores que se posicionam no meio, o que pode ser disputado nas eleições. A pesquisa também traça perfis dos eleitores bolsonaristas, petistas e de centro, revelando características demográficas e sociais distintas.
A estagiária de comunicação Fernanda Rabello, que se identifica como eleitora de centro, expressa sua visão sobre a importância de buscar benefícios sociais a partir de diferentes perspectivas políticas.