Quatro meses após anunciar sua escolha, o presidente Lula informou a pessoas próximas que pretende enviar ao Senado, nesta semana, a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão de formalizar a indicação já foi tomada, mas Lula deseja conversar novamente com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Alcolumbre sugeriu que seria melhor aguardar as eleições para realizar a sabatina de Messias. No entanto, articuladores do governo acreditam que o ambiente atual é mais favorável à indicação do que em novembro passado, quando Messias foi escolhido.
Nos últimos meses, ministros do STF, incluindo aqueles indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, têm defendido Messias. O decano Gilmar Mendes e o ministro Cristiano Zanin também expressaram apoio ao indicado.
Por outro lado, aliados de Alcolumbre afirmam que a resistência à indicação de Messias aumentou, especialmente após o avanço das investigações sobre o esquema do Banco Master. Alcolumbre, que defende o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga, sugeriu que a mensagem ao Senado fosse enviada apenas após as eleições, o que atrasaria o processo.
Lula tem tentado sensibilizar Alcolumbre em favor de Messias, mas, diante da falta de sucesso, decidiu seguir com a indicação. Aliados do presidente ressaltam que a escolha para o STF é uma prerrogativa do presidente, que não deve abrir mão.
A votação deve ocorrer até maio, antes do recesso informal que caracteriza anos eleitorais. Messias também expressou o desejo de enfrentar a votação para encerrar esse ciclo.
Lula discutiu a indicação com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça, Otto Alencar, que indicou boas chances de aprovação para Messias.
O nome de Messias já havia sido considerado na aposentadoria de Rosa Weber, mas a vaga foi ocupada por Flávio Dino. Desde então, seu prestígio junto a Lula cresceu, tornando-se o principal consultor jurídico do presidente.
Messias, procurador da Fazenda Nacional desde 2007, também atuou como consultor jurídico em diversos ministérios e foi subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil durante o governo Dilma. Sua trajetória inclui momentos difíceis, como a divulgação de uma escuta telefônica da Lava Jato.
Durante o governo Bolsonaro, Messias foi chefe de gabinete de Wagner no Senado e ganhou reconhecimento ao atuar na transição do governo Lula, ajudando na redação de decretos importantes.