O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de autonomia na defesa militar durante encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa. Lula afirmou que Brasil e África do Sul devem unir esforços para fortalecer suas capacidades de autodefesa, destacando a importância de produzir seus próprios artigos militares.
Lula alertou que a falta de preparação pode resultar em invasões, afirmando:
Se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente.
Ele também criticou a dependência de armamentos estrangeiros, sugerindo que os dois países do Sul Global devem se tornar um mercado relevante para a indústria de defesa.
As declarações ocorreram após a assinatura de acordos bilaterais nas áreas de turismo, comércio exterior e indústria. A visita de Ramaphosa ao Brasil se estende até esta terça-feira.
Além disso, Lula expressou sua preocupação com a escalada de conflitos no Oriente Médio, que, segundo ele, afetam a paz e a segurança internacional. Ele destacou que o aumento dos preços do petróleo é uma consequência direta da guerra contra o Irã, que começou em fevereiro com ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel.
O presidente brasileiro também abordou os impactos humanitários e econômicos do conflito, ressaltando que as crises afetam mais severamente mulheres e crianças. Lula criticou a exploração de recursos naturais, afirmando que o Brasil deve evitar repetir erros do passado na venda de minerais críticos.
Ele afirmou que o Brasil não deve tratar as terras raras como fez com o minério de ferro, onde vendeu recursos a preços baixos e comprou produtos acabados a preços exorbitantes. Lula defendeu que a exploração desses minerais deve beneficiar a população local.
Por fim, Lula confirmou sua participação em uma reunião em Barcelona em abril, onde discutirá temas como regulação do ambiente digital e inteligência artificial, reforçando a importância da voz do Sul Global nas decisões internacionais.