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Kassio Nunes Marques busca acordo no TSE sobre censura a pesquisa

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, tenta construir um acordo sobre a censura de uma pesquisa que indicava queda de Flávio Bolsonaro, visando reduzir desgastes políticos.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, está aproveitando a suspensão do julgamento sobre a censura de uma pesquisa da Atlas/Bloomberg para buscar um acordo com os demais ministros da corte. O objetivo é mitigar o desgaste gerado pela decisão liminar que impediu a divulgação do levantamento, que mostrava uma queda nas intenções de voto para Flávio Bolsonaro (PL).

Na terça-feira (9), a ministra Estela Aranha solicitou um pedido de vista, o que permitiu a Kassio discutir as diretrizes que devem ser seguidas por institutos de pesquisa nas eleições de 2026. A liminar que censurou a pesquisa foi criticada por diversos setores políticos, incluindo figuras da direita como os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo).

Nos bastidores, a postura de Kassio gerou desconforto entre ministros do Judiciário e assessores. O presidente do TSE havia se posicionado anteriormente a favor de uma condução menos interventora nas eleições. Críticos compararam sua decisão à postura do ministro Alexandre de Moraes, do STF, que frequentemente é rechaçada pela direita em nome da liberdade de expressão.

Durante a sessão, Kassio manteve uma postura mais contida, limitando-se a ler o texto da decisão anterior sem apresentar novos argumentos. Estela Aranha já havia avisado que precisaria de mais tempo para analisar o caso antes do início da sessão. Após a votação, Kassio elogiou a suspensão do julgamento.

O presidente do TSE acredita que o pedido de vista é importante para que a corte reflita sobre as metodologias utilizadas pelos institutos de pesquisa, e não sobre o conteúdo das pesquisas em si. Segundo fontes próximas a Kassio, nenhuma decisão será tomada antes de uma reunião com representantes dos institutos, prevista para ocorrer ainda em junho.

A pesquisa censurada indicava que Flávio Bolsonaro havia perdido 6 pontos percentuais em um cenário de segundo turno contra Lula (PT) após o escândalo "Dark Horse", que envolveu áudios em que o senador pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Kassio argumentou que o questionário da pesquisa foi estruturado de forma a

induzir gravemente uma percepção negativa

sobre Flávio. A AtlasIntel, responsável pela pesquisa, defendeu a rigorosidade científica do levantamento, afirmando que o áudio foi apresentado apenas após a coleta das respostas.

Durante a sessão, outros ministros expressaram preocupações sobre a inclusão de material audiovisual nas pesquisas. O ministro Floriano de Azevedo Marques destacou a delicadeza da questão, afirmando que a decisão poderia servir como precedente.

Especialistas também comentaram sobre o tema. Hilton Fernandes, cientista político, alertou que a definição de regras pelo TSE pode limitar as informações disponíveis aos eleitores. Já o advogado eleitoral Alberto Rollo defendeu a necessidade de estabelecer parâmetros sobre o uso de áudio e vídeo em pesquisas.

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