A Justiça de São Paulo decidiu, nesta quarta-feira, aceitar o pedido de interdição do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de 94 anos, solicitado por seus filhos Paulo Henrique, Luciana e Beatriz. O motivo da solicitação é o agravamento do quadro de Alzheimer, que se encontra em estágio avançado.
Com a decisão, Paulo Henrique Cardoso assume a função de curador provisório do pai, sendo responsável pelos atos civis e pela administração financeira e patrimonial do ex-presidente. A informação foi divulgada pelo colunista Lauro Jardim e confirmada por outras fontes.
A família e a Fundação FHC optaram por não comentar a situação, considerando-a um assunto de foro íntimo.
A petição que solicitou a interdição foi assinada pelos advogados Caetano Berenguer, Fabiano Robalinho e Henrique Avila, do escritório Bermudes Advogados, e acompanhada de um laudo médico que atesta o estado de saúde do ex-presidente.
No pedido, os filhos afirmam que, devido ao agravamento do Alzheimer, Fernando Henrique Cardoso tornou-se incapaz de realizar atos da vida civil. O documento também menciona depoimentos de pessoas que convivem com a família há décadas, confirmando que os filhos sempre foram responsáveis pelos cuidados do pai.
A petição foi protocolada na terça-feira na 2ª Vara da Família e Sucessões do Foro Central Cível de São Paulo e foi deferida no dia seguinte pela juíza Ana Lúcia Xavier Goldman. O processo está em sigilo.
Na decisão, a juíza justificou a nomeação de Paulo Henrique com base na confiança que Fernando Henrique depositou nele, já que ele constava como procurador do pai. A situação de saúde do ex-presidente comprometeria a validade das procurações que ele havia outorgado anteriormente aos filhos, o que motivou o pedido de interdição.
A medida judicial é provisória e se aplica a atos de gestão patrimonial, conforme solicitado pelos autores. Outros atos serão considerados após a realização de uma perícia médica prevista em lei.
Fernando Henrique Cardoso foi presidente do Brasil de 1995 a 2002. Desde que deixou o cargo, não ocupou mais funções públicas, mas continuou ativo no debate político, tanto dentro do PSDB quanto por meio de sua fundação. Sua última aparição pública significativa ocorreu em 2022, quando declarou apoio ao ex-adversário Lula na disputa presidencial contra Jair Bolsonaro.