O governador Ibaneis Rocha (MDB) se encontra em uma situação de isolamento político, especialmente após a decisão do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, de não apoiar sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. A ruptura se intensificou após a divulgação de um contrato milionário entre o escritório de Ibaneis e a Reag, que está sob investigação por fraudes.
Apesar da falta de apoio, Ibaneis afirmou que pretende manter sua candidatura ao Senado. No entanto, aliados sugerem que ele pode precisar considerar um plano B, como a candidatura a deputado federal, para garantir uma eleição e evitar a perda do foro especial, que poderia protegê-lo de investigações relacionadas ao caso Master.
Pessoas próximas ao governador indicam que ele pode optar por permanecer no cargo até o final do ano para manter seu foro. Ibaneis foi eleito em 2018 e reeleito em 2022 com o apoio de Bolsonaro, planejando uma aliança com o PL para a eleição de 2026, onde a vice-governadora Celina Leão (PP) seria a candidata ao governo.
Com o rompimento, o PL está se preparando para lançar duas candidatas ao Senado: a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e a deputada federal Bia Kicis. Apesar da separação, o partido ainda pretende apoiar Celina na disputa pelo governo, com Ibaneis indicando o vice, Gustavo do Vale Rocha.
A situação de Ibaneis se complica ainda mais com a oposição. O PT planeja lançar Leandro Grass ao governo, enquanto o PSB tem Ricardo Cappelli como pré-candidato. Além disso, PSB e PSOL acionaram o STF para investigar Ibaneis e solicitar seu afastamento do cargo.
Enquanto isso, o PL pressiona pela criação de uma CPI para investigar as fraudes relacionadas ao BRB, com Bia Kicis afirmando que a situação exige ação imediata. O partido já considerava a possibilidade de não apoiar Ibaneis, preferindo candidatas alinhadas ao bolsonarismo.
A crise entre Ibaneis e o PL se agravou após a Câmara Legislativa aprovar um aporte no BRB para cobrir prejuízos relacionados ao Master, com alguns deputados governistas votando contra a medida.
Recentemente, a Folha de S. Paulo teve acesso a um documento que revela que o escritório de advocacia de Ibaneis vendeu direitos sobre honorários no valor de R$ 38,13 milhões para o fundo Reag Legal Claims. A defesa de Ibaneis afirma que ele não tinha conhecimento da negociação, uma vez que está afastado do escritório desde 2018.