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Irã planeja protocolo para passagem no Hormuz, excluindo EUA

O Irã está desenvolvendo um protocolo para a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas navios dos EUA e aliados não poderão transitar. A medida surge em meio a tensões regionais.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

O Irã está elaborando um protocolo que permitirá a passagem de embarcações pelo estreito de Hormuz, mas com a restrição de que navios dos Estados Unidos, de Israel e de países que apoiaram a guerra não poderão trafegar por essa via marítima. A informação foi divulgada por Esmaeil Baqaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã.

Desde o início dos ataques dos EUA e de Israel, em 28 de fevereiro, Teerã bloqueou a passagem pelo estreito, que é responsável por cerca de 20% do petróleo e gás liquefeito consumidos globalmente. Baqaei, que concedeu a entrevista na sede do ministério em Teerã, confirmou que o Irã continua participando das negociações de paz mediadas pelo Paquistão e já enviou uma resposta às exigências americanas.

A entrevista ocorreu em um momento de crescente tensão no governo iraniano, com a expectativa de novos ataques dos EUA e de Israel. Após a conversa, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou que adiaria uma ofensiva militar contra o Irã, mas reafirmou que Washington está preparado para um ataque em larga escala se um acordo satisfatório não for alcançado.

Sobre o estreito de Hormuz, Baqaei afirmou que a passagem estava aberta antes do início do conflito e que a responsabilidade pela situação atual recai sobre os EUA. Ele destacou que o Irã, como país costeiro, busca garantir a passagem segura de navios, respeitando sua soberania e segurança nacional.

O porta-voz também anunciou a criação da Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, que será responsável pela administração do tráfego marítimo em Hormuz. Ele mencionou que países aliados dos EUA e de Israel poderão enfrentar restrições, afirmando que os Estados costeiros têm o direito de impedir a passagem de embarcações de países considerados agressores.

Baqaei reiterou que o Irã mantém contato com diversas nações para assegurar a passagem segura de embarcações neutras. Em relação às negociações mediadas pelo Paquistão, ele enfatizou que o Irã exige o desbloqueio de ativos financeiros, o fim das sanções e o reconhecimento do direito ao uso pacífico de energia nuclear.

Questionado sobre a transferência de urânio enriquecido, Baqaei rejeitou a proposta, argumentando que se os EUA realmente se preocupassem com o programa nuclear iraniano, não teriam abandonado o acordo nuclear de 2015. Ele também afirmou que o Irã está preparado para uma possível escalada de ataques, com as Forças Armadas prontas para responder com força.

O porta-voz comentou ainda sobre o papel do Brasil no conflito, sugerindo que o país pode ter uma influência diplomática significativa devido à sua posição no Brics e ao histórico em negociações nucleares. Em relação à China, Baqaei elogiou a atuação diplomática de Pequim na região, destacando sua capacidade de construir confiança no Oriente Médio.

Por fim, Baqaei abordou os impactos econômicos da guerra no Irã, mencionando a inflação e a desvalorização da moeda, mas ressaltou a resiliência do povo iraniano diante das sanções. Ele responsabilizou o primeiro-ministro israelense pela escalada do conflito, afirmando que a opinião pública americana começa a perceber o envolvimento de Netanyahu na guerra.

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