O representante da República Islâmica do Irã nas Nações Unidas, Amir-Saeid Iravani, declarou que as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que 'uma civilização inteira morrerá' caso um acordo não seja alcançado até a noite de terça-feira, configuram incitação a crimes de guerra e potencial genocídio.
Iravani fez essas declarações durante uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que discutiu uma proposta do Bahrein para desobstruir o estreito de Hormuz, bloqueado pelo Irã desde o início do conflito. A proposta foi rejeitada por China e Rússia, que possuem poder de veto e são aliadas de Teerã.
O diplomata pediu à comunidade internacional que condenasse a retórica de Trump, afirmando que o Irã não ficará inerte diante de 'crimes de guerra tão flagrantes'. Ele ressaltou que o país exercerá seu direito de legítima defesa e tomará medidas proporcionais.
A secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, informou que Trump está ciente de uma proposta do Paquistão para estender o prazo do ultimato por mais duas semanas, prometendo uma resposta em breve.
Trump, que já havia declarado que mandaria o Irã 'de volta à Idade da Pedra', indicou que atingiria a produção de petróleo do país, além de infraestrutura civil, o que é amplamente considerado como crime de guerra.
O presidente americano fez um ultimato para a reabertura do estreito de Hormuz, crucial para o transporte de cerca de 20% do petróleo mundial, estabelecendo um prazo até a noite de terça-feira, 21h, no horário de Brasília.
Caso não haja um acordo até o prazo estipulado, Trump afirmou que 'todas as pontes e todas as usinas de energia' do Irã seriam destruídas até a 1h de quarta-feira. Ele expressou que 'uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada'.
Durante a reunião do Conselho de Segurança, China e Rússia criticaram a proposta do Bahrein, alegando que ela era tendenciosa contra o Irã. O embaixador chinês na ONU afirmou que aprovar o texto em um momento de ameaças graves dos EUA enviaria 'a mensagem errada'.
O representante russo mencionou que os dois países estão trabalhando em uma proposta alternativa sobre a situação no Oriente Médio, incluindo a segurança marítima. Os EUA, por sua vez, criticaram a posição de Moscou e Pequim, com o embaixador americano na ONU, Mike Waltz, acusando-os de se alinharem a Teerã.