A morte da adolescente Marta Isabele, de 16 anos, em Porto Velho, Rondônia, trouxe à tona uma série de acusações graves envolvendo sua família. O avô da jovem foi preso pela Polícia Civil após a descoberta de que ela teria sido mantida em cárcere privado e vítima de abusos sexuais por ele e pelo pai.
O avô, cuja identidade não foi divulgada, se apresentou voluntariamente à polícia para registrar uma ocorrência sobre ameaças que estaria recebendo após sua imagem ser associada ao caso nas redes sociais. Durante a consulta ao sistema, os policiais encontraram um mandado de prisão em aberto contra ele.
As investigações indicam que o avô tinha conhecimento dos maus-tratos sofridos pela neta e é suspeito de estar diretamente envolvido nos abusos. Marta, natural da Paraíba, havia se mudado para Rondônia para viver com o pai. Seu corpo foi encontrado em condições degradantes em uma residência, apresentando sinais de desnutrição severa e ferimentos, além de estar amordaçada.
Depoimentos de uma testemunha-chave sugerem que o cárcere privado tinha como objetivo silenciar a adolescente. Segundo relatos, Marta teria confidenciado que era frequentemente estuprada pelo pai e pelo avô. Ao tentar denunciar os abusos, foi trancada em um quarto e agredida.
A madrasta da jovem, que já se encontra presa, é acusada de conivência. A testemunha afirmou que, ao tomar conhecimento dos abusos, a mulher agrediu Marta para evitar que a situação fosse revelada.
Na casa onde os crimes ocorreram, a perícia encontrou indícios de que provas foram destruídas. A cama onde a adolescente era mantida amarrada e suas roupas foram queimadas logo após sua morte. O proprietário do imóvel relatou que a madrasta hesitou em chamar as autoridades no dia do falecimento, tentando ocultar a gravidade do ocorrido.
Atualmente, os três principais suspeitos estão sob custódia em Rondônia. O pai e o avô foram levados ao presídio provisório Urso Branco, enquanto a madrasta permanece detida no Centro de Ressocialização Feminino Sueli Maria Mendonça. As autoridades continuam a ouvir testemunhas para finalizar o inquérito, que investiga homicídio qualificado, estupro de vulnerável, cárcere privado e tortura.