Pesquisar

Investigação revela compra de imóvel com recursos públicos em desvio na Educação

A Operação Blackboard investiga como um empresário adquiriu um imóvel alugado pela Secretaria de Educação do DF, utilizando dinheiro público. A apuração aponta para um desvio de quase R$ 50 milhões.
Foto: empresário

A Operação Blackboard, deflagrada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), revelou a aquisição de um imóvel alugado pela Secretaria de Educação do DF, que foi comprado pelo locador com recursos provenientes do contrato com o governo. A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Vice-Procuradoria-Geral de Justiça.

A apuração investiga uma organização criminosa suspeita de desviar quase R$ 50 milhões da Secretaria de Educação. Foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão em diversos estados. O imóvel em questão pertence à empresa Saída Sul Hospedagens Ltda., que também administra o A2 Motel na Candangolândia.

O sócio-administrador da empresa, Carlos Eduardo Coelho Ferreira, teria utilizado os aluguéis pagos pelo governo para financiar a compra do prédio, que estava sendo alugado pela administração pública. Assim, o poder público teria, na prática, financiado a aquisição do imóvel.

O contrato investigado envolveu a locação de um prédio no Setor de Motéis da Candangolândia, onde funcionam o Centro de Ensino Fundamental 01 (CEF 01) e a Coordenação Regional de Ensino do Núcleo Bandeirante. A mudança para o prédio privado foi justificada por alegações de que o imóvel público estava em condições precárias, mas não havia laudo técnico que comprovasse essa necessidade.

Mais de cinco anos depois, o prédio público, antes considerado inutilizável, passou a ser alvo de um contrato de reforma de cerca de R$ 12 milhões. Enquanto isso, o governo já havia pago mais de R$ 19 milhões em aluguéis pelo imóvel alugado.

Entre os investigados está o ex-secretário de Educação do DF, João Pedro Ferraz dos Passos, que teria autorizado a dispensa de licitação. O deputado distrital Hermeto Oliveira Neto também é mencionado, por supostamente ter intermediado o contato entre o empresário e o secretário, além de direcionar emendas parlamentares para uma associação ligada à coordenadora regional investigada.

A Operação Blackboard investiga crimes de corrupção, fraude à licitação, peculato, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) e contaram com apoio da Polícia Civil do DF.

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima