O coordenador de epidemiologia da 9ª Gerência Regional de Saúde, Luís Batista, apresentou informações sobre a tuberculose na região de Cajazeiras, no Alto Sertão paraibano. Durante uma entrevista, ele destacou que, no primeiro trimestre de 2026, a Paraíba confirmou 351 novos casos da doença.
O relatório segue um ano de 2025 com números significativos, onde a Secretaria de Estado da Saúde (SES) registrou 1.581 ocorrências e 119 óbitos relacionados à tuberculose. Na região de Cajazeiras, foram 46 casos em 2025, com 26 afetando homens e 20 mulheres.
Atualmente, 15 pacientes estão em tratamento nas cidades que fazem parte da 9ª Regional. Luís Batista enfatizou a gravidade dos dados, que mostram uma predominância de casos entre o público masculino, com 1.110 casos notificados em homens e 471 em mulheres no ano anterior.
O coordenador atribui essa disparidade a fatores sociais e biológicos, destacando que o perfil mais afetado é de homens na faixa etária de 20 a 39 anos, seguido por aqueles entre 39 e 59 anos. Ele mencionou que a resistência dos homens em buscar atendimento e fatores de risco como alcoolismo e tabagismo contribuem para essa situação.
Os municípios de Cajazeiras, São João do Rio do Peixe e São José de Piranhas são os que apresentam o maior número de notificações. Luís Batista relaciona esses índices a fatores demográficos e sociais, como a maior densidade populacional e a presença de áreas vulneráveis.
O diagnóstico da tuberculose inicia-se na atenção primária, com exames laboratoriais, incluindo a baciloscopia, que tem Cajazeiras como centro de referência. O processo também envolve o Teste Rápido Molecular e radiografias de tórax.
Quanto ao tratamento, a distribuição de medicamentos é descentralizada, permitindo que os pacientes recebam os fármacos diretamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Luís Batista ressaltou que a entrega não ocorre na sede da 9ª Regional de Saúde.
Por fim, o coordenador destacou a importância da busca ativa para controlar a transmissão da tuberculose, um trabalho contínuo realizado pelas equipes das unidades básicas, com ênfase na atuação dos Agentes Comunitários de Saúde (ACS), que ajudam na identificação precoce dos sintomas.
Fonte: Diariodosertao