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INCA alerta sobre riscos de cigarros aromatizados entre jovens

O INCA e o Ministério da Saúde destacam os perigos dos cigarros com sabor e dispositivos eletrônicos para fumar, que atraem jovens e adolescentes. Campanha visa conscientizar sobre a dependência de nicotina.
Foto: Notícias ao Minuto Brasil

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde estão intensificando os alertas sobre os riscos associados ao uso de cigarros aromatizados e dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes e pods. Esses produtos, que oferecem sabores doces e sensações refrescantes, têm se mostrado atraentes para crianças, adolescentes e jovens.

Com a campanha deste ano, intitulada

Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco

, as autoridades buscam discutir as estratégias da indústria do tabaco para atrair novos consumidores. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco nas Américas, enquanto 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos.

Um estudo apresentado pelo INCA em 2025 estima que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões anualmente com doenças relacionadas ao tabagismo. Vera Luiza da Costa e Silva, secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, destacou a transição dos cigarros convencionais para produtos mais tecnológicos, o que aumenta a atratividade para as novas gerações.

Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) estabeleceu a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012, que proíbe o uso de aditivos que conferem sabor e aroma aos produtos de tabaco. No entanto, a indústria do tabaco questiona a legalidade da norma na Justiça, alegando que a proibição comprometeria a produção nacional.

Um estudo recente publicado na revista Tobacco Control, apresentado pelo INCA, refuta essa alegação, mostrando que cerca de metade das marcas de cigarros registradas no Brasil em 2025 não continham os aditivos proibidos. O pesquisador André Zsklo afirmou que a viabilidade logística e produtiva existe, mas a indústria não demonstra interesse em oferecer produtos sem aromas e sabores.

Roberto Gil, do INCA, defendeu que o Supremo Tribunal Federal (STF) confirme a proibição dos aditivos para evitar novas contestações. Ele ressaltou que o tabagismo está se tornando uma doença pediátrica, afetando cada vez mais jovens.

Suyanne Camille Caldeira Monteiro, coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, enfatizou que impedir a iniciação ao consumo de nicotina deve ser uma prioridade, alertando que não existem dispositivos eletrônicos para fumar seguros.

O tabaco é um fator de risco para diversas doenças crônicas, como câncer e doenças cardiovasculares. No Brasil, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), coordenado pelo Ministério da Saúde e pelo INCA, articula políticas de prevenção e apoio à cessação do tabagismo.

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