Cruzar as pernas ao sentar é um comportamento automático para muitos, mas especialistas afirmam que, isoladamente, essa prática não costuma causar riscos significativos para pessoas saudáveis. Os problemas surgem quando essa posição é mantida por longos períodos, especialmente quando associada ao sedentarismo e à falta de movimento.
A compressão temporária dos vasos e nervos é uma consequência de permanecer muito tempo sentado com as pernas cruzadas, podendo resultar em dores musculares e sensação de peso, além de agravar sintomas em indivíduos predispostos a doenças vasculares.
De acordo com o angiologista Thiago Osawa, cruzar as pernas provoca uma compressão momentânea das veias atrás do joelho, reduzindo temporariamente o retorno venoso. No entanto, em pessoas saudáveis, o corpo geralmente compensa esse efeito sem consequências graves.
O angiologista Bruno Carvalho ressalta que não há evidências científicas que liguem diretamente o ato de cruzar as pernas ao surgimento de varizes. Fatores como hereditariedade, obesidade, envelhecimento e sedentarismo têm um impacto muito maior na saúde vascular.
Os especialistas alertam que permanecer na mesma posição por longos períodos, independentemente de cruzar as pernas ou não, pode reduzir a ação da panturrilha, que ajuda no retorno do sangue ao coração, resultando em inchaço e desconforto.
Além dos efeitos na circulação, a posição pode causar sobrecarga muscular e articular. O ortopedista Ivo Zulian Neto explica que manter as pernas cruzadas por muito tempo altera o alinhamento da pelve e pode levar a dores crônicas.
Os médicos recomendam que pessoas com histórico de trombose ou problemas vasculares evitem ficar imóveis por longos períodos, pois isso pode aumentar o risco de complicações.
Para melhorar a circulação, os especialistas sugerem movimentar-se ao longo do dia, realizando caminhadas, exercícios de musculação e alongamentos. Levantar-se a cada 50 ou 60 minutos e evitar longos períodos de imobilidade são hábitos benéficos.
Manter um peso saudável, controlar doenças como diabetes, evitar o tabaco e investir em ergonomia são práticas que contribuem para a saúde da circulação e da coluna. Em alguns casos, o uso de meias de compressão pode ser indicado por um médico.