A ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã pode trazer sérios custos políticos para o presidente Donald Trump, à medida que as forças iranianas resistem e os preços do petróleo disparam. Desde o início da guerra, o barril de petróleo atingiu valores elevados, chegando a US$ 120, embora tenha recuado para cerca de US$ 100.
Trump está buscando maneiras de conter a alta do petróleo, ciente do impacto que isso pode ter no bolso dos eleitores e nas eleições legislativas de meio de mandato, que ocorrerão em novembro. O aumento nos preços do petróleo geralmente resulta em gasolina e diesel mais caros, o que pode intensificar a insatisfação do eleitorado.
Uma pesquisa Ipsos/Reuters revelou que 67% dos americanos acreditam que os preços da gasolina subirão no próximo ano devido à guerra. Além disso, seis em cada dez entrevistados acreditam que as ações militares dos EUA contra o Irã devem se prolongar.
Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais, observa que a percepção negativa em relação a Trump tende a se agravar. Ele tem monitorado a situação de perto e tenta transmitir a mensagem de que a guerra será breve e que o controle do Estreito de Ormuz será mantido, visando equilibrar os preços.
O Estreito de Ormuz é uma rota crucial para o petróleo, responsável por cerca de 20% do consumo mundial. Recentemente, o tráfego de navios na região caiu após o Irã anunciar bloqueios e ataques a petroleiros.
As eleições de meio de mandato em novembro incluirão a escolha de governadores e a renovação de 435 cadeiras na Câmara e 35 no Senado. Atualmente, os republicanos controlam ambas as casas do Congresso, mas a situação pode mudar.
Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, destaca que a alta do petróleo ocorre em um momento desfavorável para Trump, que tentava sustentar a narrativa de uma economia forte. Dados mostram que o preço da gasolina subiu mais de 20% desde o início da guerra.
Economistas estimam que um aumento de 10% no preço do petróleo pode reduzir o crescimento do PIB em 0,2 ponto percentual. Isso representa um impacto significativo nas famílias, especialmente nas de renda média e baixa, que são decisivas em estados-pêndulo.
Carolina Moehlecke, da FGV, observa que a pressão sobre os preços foi crucial para a queda de popularidade do ex-presidente Joe Biden. O eleitorado está preocupado com os aumentos constantes de preços.
Especialistas acreditam que o governo dos EUA subestimou a resistência do Irã. O uso do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão surpreendeu Washington, que agora precisa recalcular sua estratégia.
Trump afirmou que a guerra estava 'praticamente concluída' e que os EUA poderiam controlar a rota do petróleo. No entanto, o Irã intensificou os ataques a navios, reacendendo os temores.
Preocupado com os preços, Trump decidiu afrouxar temporariamente as sanções ao petróleo russo e anunciou que 200 milhões de barris da Venezuela seriam destinados aos EUA. A Agência Internacional de Energia também concordou em liberar 400 milhões de barris de suas reservas de emergência.
David Fyfe, economista-chefe da Argus, alerta que a eficácia das reservas estratégicas depende da duração das restrições no Estreito de Ormuz. Se a navegação continuar restrita, a liberação de reservas pode não ser suficiente.
Os republicanos têm uma vantagem estreita no Congresso, o que pode complicar a situação de Trump caso percam a maioria. Uma derrota nas eleições pode resultar em maior resistência legislativa e até processos de impeachment.
Carolina Moehlecke ressalta que o resultado das eleições influenciará o ciclo político até 2028. Embora a situação atual favoreça os democratas, ainda há tempo até novembro para mudanças significativas.